Prevenção
e Controle das Brocas de Madeira
Há diversas
opções para prevenção e controle
dos vários tipos de brocas de madeira. A seleção
da melhor opção depende de diversos fatores,
como a gravidade da infestação, o local da
infestação, a possibilidade de ocorrer reinfestação
e o custo do tratamento.
As brocas de
madeira danificam a madeira lentamente, por isso,
no caso de uma infestação por estes insetos,
não há tanto motivo para desespero: temos
tempo o suficiente para tomar uma decisão sobre as
melhores opções de prevenção
e controle.
Para evitar o ataque
brocas de madeira, o emprego de madeira
preservada é a recomendação básica.
Entretanto, o uso de madeira preservada no Brasil é
ainda bastante limitado e, particularmente no caso da construção
civil e mobiliário, não há especificações
técnicas para madeira preservada nesses casos.
Além disso,
a preservação é um processo geralmente
adotado apenas no final do beneficiamento da madeira. Se
quisermos evitar que até lá ela não
sofra ataque de insetos xilófagos, como as brocas
de madeira, outros procedimentos devem ser adotados. A prevenção
exige medidas que vão desde a árvore viva
até o produto final, uma vez que há diferentes
espécies de brocas de madeira atacando
a madeira nas diferentes fases do seu beneficiamento.
Na mata, a madeira
abatida, que fica aguardando transporte para as serrarias,
é alvo de ataque de inúmeros insetos, particularmente
as brocas das famílias Platypodidae e Scolytidae.
Assim, tratamentos temporários, também denominados
pré-tratamentos, são recomendáveis
para evitar essas infestações.
A partir do momento
em que a madeira chega às serrarias, e daí
até o produto final, uma série de outras medidas
preventivas podem ser adotadas. São inúmeras
essas medidas, e a seguir vamos saber mais sobre algumas
delas, seja com caráter preventivo e/ou curativo.
Aplicação
de soluções inseticidas
Os inseticidas usados
em tratamentos curativos, autorizados para uso, são
de dois grupos químicos: piretróides e organofosforados.
Até recentemente os organoclorados eram também
muito utilizados, mas hoje o uso de produtos contendo esse
inseticida está proibido pela legislação.
Antes de detalhar este
método, vale a pena ressaltar: o emprego, ainda que
necessário, de inseticidas para controlar infestações
provoca sérios riscos à saúde das pessoas
e ao meio ambiente. Assim, sempre que possível deve-se
recorrer a outro método de prevenção
e/ou controle, menos danoso e arriscado. Ou, contratar uma
empresa com especialistas no manuseio destes produtos.
O tratamento mais freqüentemente
utilizado consiste na aplicação de uma solução
inseticida por pincelamento ou pulverização
na superfície da madeira. Também pode ser
realizada a injeção nos orifícios,
fendas e juntas, quando a peça já estiver
atacada. Esses tratamentos têm sido geralmente utilizados
tanto em caráter preventivo como curativo.
A sua adoção
como tratamento curativo é, entretanto, muito limitada.
E, por isso mesmo, bastante questionável para o caso
de infestações por brocas
de madeira. Ao injetarmos uma solução inseticida
nos furos feitos pelas brocas, não devemos esquecer
que esses orifícios são, na sua maioria, orifícios
de emergência dos adultos. Ou seja, eles já
saíram da madeira e, portanto, deste modo não
estaremos eliminando o inseto.
Além disso,
por injeção, haverá pouca penetração
de produto na madeira, o que dificilmente o fará
atingir outros insetos no seu interior. As galerias escavadas
pelas larvas estão geralmente obstruídas com
serragem e fezes, que são lançadas para traz
à medida que a larva vai se alimentando da madeira.
O objetivo deste tratamento
é, portanto, muito mais de caráter preventivo.
Se os orifícios, frestas, juntas ou ainda, quando
possível, a superfície da madeira estiverem
impregnados com um inseticida, isto deve evitar que os insetos
depositem seus ovos naquela peça de madeira. É
muito importante considerar que, sendo esses tratamentos
superficiais, a porção tratada é removida
quando a peça de madeira é trabalhada. Além
disso (e por isso!), deve-se considerar os riscos à
saúde das pessoas que trabalham com essas madeiras.
Isto faz com que estes tratamentos não sejam aplicáveis
em muitas situações, ou somente sejam empregados
sob rigoroso controle das etapas de beneficiamento da madeira
que acontecerão após esse tratamento.
No caso de compensados,
a adição de inseticida na cola tem sido outra
linha de prevenção utilizada. Entretanto,
deve-se considerar que, se o inseticida ficar restrito apenas
à linha de colagem e a lâmina de madeira for
suficientemente espessa para servir de substrato para esses
insetos, a infestação do compensado pode não
ser evitada apenas com esse tipo de tratamento.
Tratamentos com
gases tóxicos
Quando dizemos “caráter
curativo”, pode-se concluir que já sabemos
que a peça de madeira está infestada. Assim,
o tratamento curativo tem como objetivo eliminar esses insetos,
evitando que eles venham a reinfestar aquela madeira ou
infestar outras. Entretanto, a madeira aparentemente sadia
pode esconder uma infestação e, mesmo assim,
não apresentar sintomas de ataque que possam ser
percebidos.
Como já vimos
antes, no caso das brocas de madeira, nas
fases de ovo e larva não há sinais externos
de atividade desses insetos. Os sinais só vão
aparecer no final do seu ciclo de vida, quando os adultos
emergem da madeira. Uma peça de madeira nessas condições
pode ser trabalhada ou comercializada como se fosse sadia.
Neste caso, o problema aparecerá mais tarde, na casa
do pobre cliente que adquiriu aquele produto. Esses casos
são freqüentes e têm sido a causa de muitas
reclamações e até de ações
judiciais de indenização! Além de prejuízos
financeiros, isto afeta de modo muito negativo o nome da
empresa fornecedora de madeira. Um procedimento comumente
usado para evitar esse problema é submeter as madeiras
a um expurgo com gases tóxicos. Os gases normalmente
empregados não têm ação residual,
o que é desejável em muitos casos, e, portanto,
o expurgo é um tratamento de caráter essencialmente
curativo.
Contudo, este tratamento
pode ter um caráter preventivo se o considerarmos
como uma maneira de evitar que uma madeira atacada, mas
aparentemente sadia, sirva de foco de infestação
para as outras madeiras. Ou então que o problema
siga adiante, tornando-se evidente somente mais tarde, na
casa do cliente.
É muito importante
lembrar que os gases utilizados na fumigação
são extremamente tóxicos, e alguns já
tiveram sua venda proibida, como o brometo de metila. Somente
os operadores de controle de pragas certificados para aplicar
fumigação estão habilitados para o
serviço. A fumigação de móveis
ou pequenas peças infestadas, como molduras de quadros
e cestas, pode ser feita sem aplicá-la na estrutura
inteira. Alguns operadores de controle de pragas fumigam
móveis infestados dentro de câmaras de fumigação,
em suas oficinas, para que não seja necessário
isolar e fumigar todo o local.
Assim, o melhor caminho
a seguir é receber a orientação de
um especialista que ajude na sua realização.
Pesquisas têm sido realizadas utilizando outros gases,
como argônio e nitrogênio. Nesses tratamentos,
chamados de atmosferas modificadas, o princípio consiste
em eliminar os insetos pela redução da quantidade
de oxigênio na madeira, substituindo-o por um desses
gases. Entretanto, não há ainda dados precisos
quanto a sua eficácia sobre os diferentes tipos de
insetos xilófagos nem sobre todas as fases desses
insetos. O tempo de exposição também
é um fator que ainda está sendo determinado
para cada gás e para cada inseto. Além disso,
se considerarmos os custos mais elevados que os expurgos
tradicionais, o uso desses gases é mais adequado
para situações especiais, como é o
caso, por exemplo, de obras de arte.
Controle de qualidade
Além de tratamentos,
há procedimentos que poderíamos chamar de
controle de qualidade na empresa. Esse controle de qualidade
consiste em inspecionar as madeiras, ou os móveis,
no momento do seu recebimento e também o que se encontra
em estoque, com o objetivo de detectar peças com
sinais de infestação. Assim, diminuir-se-ia
o risco de infestação nas madeiras sadias.
Além disso,
deve-se examinar o local de trabalho e de estocagem, com
o objetivo de verificar, por exemplo, se as suas condições
estão favorecendo a infestação pelos
insetos e/ou dificultando detectar a sua presença.
Medidas preventivas
na construção civil
No que diz respeito
à construção civil, as principais medidas
preventivas consistem em:
cuidados durante a obra, para evitar a futura instalação
das brocas de madeira;
e, principalmente, a escolha e aplicação adequadas
da madeira.
Como primeiro passo,
deve-se considerar a espécie que se pretende utilizar:
embora a madeira se deteriore naturalmente com o passar
do tempo, ela possui uma certa resistência natural.
Essa resistência varia conforme a espécie de
árvore da qual foi obtida a madeira. Por exemplo,
a aroeira tem uma resistência muito maior aos ataques
do que a virola.
Devemos considerar
também a região da tora de onde são
retiradas as peças: componentes fabricados com o
cerne – a parte central e mais resistente da tora
– terão uma resistência muito superior
aos produzidos com o alburno – camada externa, mais
susceptível ao ataque de brocas de madeira.
Pré-inspeção
da madeira
A maioria dos problemas
com brocas de madeira entra nas residências justamente
através de produtos feitos de madeira infestada,
como, por exemplo, móveis, lambris ou assoalhos.
A grande maioria das infestações ocorre quando
esta madeira infestada é instalada na casa. Por isso,
a melhor maneira de se prevenir contra uma infestação
de brocas de madeira é evitar a
entrada de madeira infestada na sua residência. Inspecione
a madeira para ter certeza de que ela não está
infestada no momento da construção da casa
ou da compra de produtos de madeira.
Acabamentos de
madeira
As fêmeas de
todas as espécies de brocas de madeira
só põem ovos em madeira exposta, ou seja,
madeira bruta. Elas não infestam a madeira pintada,
envernizada, encerada ou protegida de qualquer outra forma
semelhante. Mas, e os adultos que abrem furos e saem tranquilamente
de madeira pintada ou envernizada?! Provavelmente eles já
estavam na madeira, na forma de larvas, antes de ser feito
o acabamento, ou então são resultado da reinfestação
por ovos que foram postos nos furos de saída de coleópteros
adultos. O simples fechamento dos furos evita a reinfestação
causada pelos ovos postos na parte externa da madeira.
Substituição
da madeira
A madeira infestada
pode ser substituída se a infestação
for aparentemente localizada. Por exemplo, se os furos de
saída dos insetos aparecerem em uma peça de
porta ou marco de janela, esta pode ser removida e substituída
por uma madeira nova e sem infestação, antes
que os adultos saiam e possam infestar outras estruturas
e artefatos de madeira.
Tratamento de
superfície
Os inseticidas são
destinados ao tratamento de superfície das madeiras
expostas. A aplicação de inseticidas em madeiras
infestadas cria uma barreira que mata os besouros adultos
quando eles cavam os furos de saída da madeira. A
barreira de inseticida também mata as larvas recém
eclodidas, quando elas tentam furar e penetrar na madeira.
Mas, para que os tratamentos
de superfície funcionem corretamente, eles devem
penetrar na madeira. Portanto, ela deverá estar bruta
ou lixada para remover o acabamento. Em determinadas situações,
o tratamento de superfície pode penetrar suficientemente
na madeira para matar as larvas e evitar mais danos à
superfície, causados por outros furos de saída
dos adultos.