A Organização Social
dos Cupins
Quem já leu
um pouco mais sobre a Índia sabe que a sociedade
indiana é dividida em castas, ou seja, em grupos
de pessoas que são hierarquizadas em função
de um contexto social. Pois bem, no caso dos cupins algo
muito semelhante acontece. Os cupins são insetos
ditos eusociais. Isso porque eles apresentam três
características: (1) sobreposição de
gerações- diferentes gerações
convivem lado a lado no mesmo ninho; (2) cuidado com a prole-
cuidado cooperativo de vários indivíduos para
alimentação e proteção da cria
e (3) divisão de trabalho- alguns indivíduos
são especialistas em reprodução enquanto
outros tratam das demais atividades. Os cupins
basicamente possuem três grandes castas: alados, operários
e soldados.
Os alados possuem asas
e são os indivíduos adultos reprodutores.
Diferentemente das formigas, os cupins
não apresentam somente rainha: há o chamado
casal real. Os reprodutores possuem olhos, asas além
de órgãos reprodutores funcionais. Também
conhecidos como siriris, os indivíduos reprodutores,
por volta da época da primavera, fazem a chamada
revoada ou enxame, que nada mais é do que o hábito
de sair do ninho para a reprodução. O vôo
basicamente tem a função de dispersão
para a fundação de novas colônias. Depois
da revoada, os alados perdem suas asas, juntam-se aos pares
e saem em busca de um local ideal para fundar o novo cupinzeiro.
Cada colônia
tem um único casal reprodutor. A rainha é
facilmente reconhecível pelo tamanho de seu abdome,
que sofre um processo chamado de fisiogastria. Este consiste
na hipertrofia do abdominal (sem envolver um processo de
ecdise/ muda) na medida em que a capacidade reprodutiva
do indivíduo cresce. Estima-se que o abdome de uma
rainha possa chegar a apresentar 200 vezes o volume do restante
do corpo!!! E por dia esta fêmea seria capaz de colocar
até 7.000 ovos.
Já o rei permanece
constantemente junto à fêmea e a fecunda de
tempos em tempos, porém o seu abdome sofre pouca
hipertrofia.
Conforme a espécie
o casal real pode se locomover dentro do ninho ou permanecer
confinado em uma câmara real.
Dentro da colônia,
os operários estão em maior número.
São cegos, ápteros (sem asas) e estéreis.
Diferentemente das formigas podem ser tanto machos como
fêmeas. Sua função basicamente é
a de manutenção da colônia: obtenção
de alimento, construção, expansão,
reparação e limpeza do ninho, eliminação
de indivíduos adoecidos ou mortos e cuidados e fornecimento
de alimento ao restante da colônia.
Acima você leu
eliminação de indivíduos adoecidos
ou mortos. Sim, dentro de um cupinzeiro existe uma espécie
de sepultamento. Este pode acontecer de duas formas basicamente:
os operários podem devorar esses indivíduos
ou mesmo confinar o corpo em uma câmara especial.
Vale dizer que quando eles comem os corpos, há maior
economia de nutrientes e por isso, aparentemente seja vantajoso.
Mas os cupins não fazem isso somente
com indivíduos mortos. Fazem também com invasores
como um método de defesa.
E por falar em defesa...
Os soldados são
aqueles responsáveis pela defesa do cupinzeiro e
pela proteção dos operários durante
a coleta de alimentos. Os soldados também não
possuem asas, são estéreis e cegos. Em compensação,
eles possuem diversos aparatos morfológicos e químicos,
além de estratégias comportamentais para defender
o ninho. Uma delas é ter mandíbulas muito
fortes. Os soldados utilizam essas armas para a guarda do
ninho e proteção dos operários durante
a coleta do alimento. Além das mandíbulas,
outra arma utilizada pelos soldados é a própria
cabeça. Ele a usa como escudo, couraça e obstrui
determinadas passagens dentro dos ninhos. A esse comportamento
especial, chama-se fragmose.
Os soldados também
são dotados de armas químicas. Na cabeça
de cada um há uma glândula chamada glândula
frontal que serve para secretar princípios ativos
de natureza tóxica, viscosa ou mesmo grudenta.