Cupins Subterrâneos
Os cupins subterrâneos
apesar da denominação indicar que vivem em
ninhos construídos no solo também são
capazes de habitar vãos estruturais das edificações.
O ninho dos cupins
é oculto no solo ou dentro de cavidades e os cupins
conectam-se à madeira através de túneis.
Se comparados ao tipo anterior, os cupins subterrâneos
têm maior diversidade de hábitos. Não
somente isso, mas costumam também ter colônias
maiores. O grupo dos cupins subterrâneos
abrange basicamente duas famílias: Rhinotermitidae
e Termitidae.
Rhinotermitidae - Os
Rhinotermitidae são representados basicamente pelos
gêneros Coptotermes e Heterotermes.
No gênero Coptotermes,
a espécie Coptotermes gestroi (sinônimo
de C. havilandi) merece destaque. Originária
do sudeste asiático, esta espécie foi introduzida
no Brasil principalmente por meio de navios. C. havilandi
(Figura 2) é popularmente conhecido como “cupim
de solo” ou “cupim de parede”. Sua presença
é marcada nas épocas quentes do ano (agosto
ao final do ano) e fazem grandes revoadas. Atualmente o
cupim continua se propagando rumo ao oeste
do estado de São Paulo e infesta grandes cidades
como Campinas, Piracicaba, Rio Claro, Ribeirão Preto,
Jacareí e Taubaté.
C. havilandi costuma
construir ninhos do tipo composto. Cada unidade pode atingir
grande tamanho e albergar população significativa
de cupins. Em edifícios são
facilmente encontrados ninhos ditos aéreos, localizados
nos pavimentos mais altos e sem nenhum contato com o solo
do pavimento térreo. Em geral os ninhos são
cartonados construído a partir de uma mistura de
solo, partículas de madeira, saliva e fezes.
Os operários
de C. havilandi são os mais numerosos e
vivem de três a cinco anos. Os soldados têm
cerca de 5 mm de comprimento e são facilmente identificados
por possuírem cabeças amarelo-alaranjadas
e mandíbulas com pontas finas e recurvadas. São
bem agressivos e expelem uma secreção leitosa
na ponta da cabeça. A rainha dessa espécie
pode viver cerca de 15 anos ou até mais. Uma colônia
demora cerca de seis anos ou às vezes menos para
produzir indivíduos alados. Estes indivíduos
são liberados em vários dias consecutivos,
normalmente entre 18 e 19hs. Uma colônia completa
pode chegar até um milhão de indivíduos
e a sua área de forrageamento (busca por alimento)
pode ser enorme.
C. havilandi
ataca diversos materiais, principalmente madeiras, papéis,
papelão, plásticos, reboco, couro, isopor,
borracha, betume, gesso, árvores vivas e metal. Isso
mesmo: metal! Porém, somente os materiais celulósicos
são digeridos. Os demais são expelidos.
O fato de poder danificar
o metal traz a tona algo muito preocupante. Os cupins
costumam usar como via de locomoção os condutos
de eletricidade e telefonia. Como é comum, eles revestem
esse caminho pela massa cartonada, o que pode causar curto-circuito.
Além disso, danos a cabos elétricos, telefônicos,
interruptores, tomadas e caixas de energia também
devem ser contabilizados. Esses cupins também podem
infestar algumas árvores urbanas, como sibipirunas,
tipuanas, palmeiras, amoreiras, flamboyants e pinheiros.
Uma vez que eles atacam o cerne (interior) da árvore,
esta se torna fraca e, com tempestades e ventos fortes,
podem cair e provocar acidentes.