Do Que os Cupins se Alimentam
Os cupins podem ser
classificados como herbívoros ou decompositores.
Madeira viva, madeira morta (em vários estágios
de decomposição), herbáceas e gramíneas
vivas, detritos vegetais (também em vários
estágios de decomposição), húmus,
solo com matéria orgânica, fezes (se for de
um animal que tenha comido plantas, melhor ainda) e partes
de plantas vivas. Tudo isso serve de alimento para os cupins.
Mas o que eles procuram
nessa matéria vegetal? A resposta é simples:
celulose. Celulose é uma molécula grande formada
por ligação de várias moléculas
menores chamadas beta-glicose. A ligação entre
essas pequenas moléculas é muito forte. Além
disso as moléculas de celulose se estruturam de uma
forma muito estável. Por todos estes motivos, é
muito difícil que o organismo de algum animal consiga
digerir a celulose. Os cupins conseguem.
Mas eles só fazem essa proeza porque eles se associam
a colônias de protozoários, que são
pequenos seres unicelulares. Esta associação
é tão íntima que os cientistas chamam
de simbiose. Os protozoários secretam uma enzima
chamada celulase, que quebra a celulose em moléculas
menores que, agora, podem ser digeridas pelos cupins. Além
de protozoários algumas espécies de cupins
também se associam a algumas bactérias especializadas
em degradar celulose.
Na África e
no Oriente existem alguns cupins que cultivam
fungos para sua alimentação. Os cupins mastigam
pedaços vegetais, os quais passam pelo trato digestivo
sem sofrer digestão, resultando em fezes primárias.
Estas são depositadas nos favos do fungo, o qual
cresce e, posteriormente, é consumido pelos cupins..
O cultivo de fungos é um método indireto de
utilizar celulose e lignina. Os fungos degradam celulose
e assim os cupins ingerindo os fungos conseguem se nutrir.
Os mesmos fungos também transformam a lignina em
nutrientes mais facilmente incorporáveis. Além
disso, são mais ricos em nitrogênio que a madeira
fresca e, provavelmente, contenham vitaminas.
Um fenômeno muito
interessante ocorre com os cupins é
a chamada trofalaxia. Também vista nas formigas,
a trofalaxia é um processo de alimentação
em que um indivíduo transfere para outro o alimento
que se encontra dentro do seu próprio tubo digestivo
por regurgitação. Os cupins também
podem fornecer como alimentação gotas de fluido
fecalóide, denominado de alimento proctodeal, que
contém protozoários simbiontes. Em ambos os
processos, há também o transporte de feromônios
que regulam a colônia.