Um Predador Eficiente
Os escorpiões
são assustadores por seu aspecto de lutador, com
uma armadura resistente e armas poderosas. Realmente, eles
têm se mostrado muito competentes na grande batalha
da sobrevivência, ocupando seu espaço de predadores
com eficiência.
Uma das características
mais visíveis responsáveis por isso é
a postura, bem típica, desses animais. Com o pós-abdome
curvado para cima e palpos dirigidos para frente, os escorpiões
estão sempre prontos para atacar e se proteger, quando
movimenta o ferrão apontado para frente de um lado
para o outro. Eles se locomovem lentamente, apesar de alguns
poderem se deslocar com velocidade, como é o caso
do escorpião-preto (Bothriurus
araguayae). Em repouso, as pernas são recolhidas
e o corpo se mantém apoiado no chão (inclusive
o pós-abdome). Escorpiões-marrons
(Tityus bahienses) podem também se prender
no teto de seus esconderijos.
Por muito tempo acreditou-se
que esses animais fossem de hábitos noturnos. O que
vem sendo descrito, porém, é uma variação
no ritmo de atividade, que pode ser tanto diurna quanto
noturna, esta última em maior proporção
na maioria dos casos.
A dieta dos escorpiões
varia entre as espécies e está relacionada
a características como: tamanho do indivíduo,
quantidade de alimento disponível no ambiente, tamanho
da presa, entre outras.
De maneira geral, a
dieta é formada por invertebrados, como insetos e
outros aracnídeos. Os escorpiões
amarelo e marrom, assim como outras espécies que
vivem em meio urbano, alimentam-se principalmente com aranhas,
baratas, grilos e outros pequenos invertebrados. Também
é usual alimentação com outros escorpiões
quando há falta de alimento, disputa por uma presa
ou indivíduos muito vulneráveis, como, por
exemplo, aqueles em processo de muda, incapazes de se defenderem.
Canibalismo é comum, principalmente nas fêmeas,
que podem comer seus parceiros após a cópula
ou até mesmo seus filhotes. Apesar de soar terrível,
o canibalismo é importante para o controle populacional.
A presa é localizada
pelos tricobótria (cerdas sensoriais) dos pedipalpos
ou por vibrações do substrato sentidas por
outros órgãos sensoriais. Assim que encontrada,
ela é agarrada com as pinças e levada às
quelíceras. Para economia de energia, somente se
há resistência usa-se o ferrão com veneno
para a paralisia, mas existem escorpiões que nunca
picam suas presas.
A digestão se
inicia fora do corpo, com a secreção de suco
gástrico no alimento enquanto ele é triturado
pelas quelíceras. Lentamente, a presa vai sendo ingerida
e sua digestão prossegue no intestino. Uma vez bem
alimentados, escorpiões podem rejeitar alimento por
vários dias (30 para o escorpião-marrom).
A resistência ao jejum é também impressionante:
fêmeas de escorpião-marrom (Tityus bahienses)
já sobreviveram até 6 meses sem alimento,
mas o “record” foi registrado para uma fêmea
de escorpião amarelo europeu (Buthus occitanus),
que sobreviveu em laboratório 1084 dias somente com
água.
A necessidade de água
e a resistência a sua falta variam entre as espécies
e em diferentes condições físicas do
ambiente. Animais de regiões áridas desenvolveram
técnicas de armazenamento e aproveitamento de água
e podem, portanto, passar longos períodos sem hidratar-se.
Escorpiões
vivem escondidos sob pedras, troncos, dentro de bromélias,
enterrados no solo de florestas ou na areia de desertos
para regulação de microclima. Em ambiente
urbano, para onde vão em busca da abundancia de alimento,
principalmente de baratas, eles podem viver em entulhos,
no meio de roupas, em batentes e tacos soltos, em terrenos
abandonados ou mal cuidados, em pilhas de tijolos ou telha
etc.
Em meio natural, esses
aracnídeos exercem funções muito importantes
na cadeia trófica. Eles são alimento para
diversos animais, como aranhas, formigas, outros escorpiões,
sapos, lagartos, aves (corujas, seriemas, galinhas) e mamíferos
(ratos, musaranhos, quatis e primatas).
Entre as características
comportamentais peculiares de algumas espécies estão
a estridulação e a catalepsia.
Estridulação: é realizada pelo atrito
entre partes do corpo, que produz som. Nos gêneros
Pandinus e Heterometrus, os indivíduos
esfregam os pedipalpos com pernas, por exemplo. O
escorpião dourado de Israel (Scorpio
maurus) produz som ao bater rapidamente a metade posterior
do pós-abdome no chão.
Catalepsia: é a imobilização do corpo
para simular uma morte. Alguns escorpiões
podem ficar horas de barriga pra cima em uma situação
de perigo. Em escorpiões-marrons (Tityus bahienses),
foi registrado um período de 13 minutos em imobilidade.
Este comportamento pode ser caracterizado como uma estratégia
de defesa.