Prevenção
e Controle das Pulgas
Na ordem Siphonaptera,
nenhuma das espécies é parasita exclusiva
do homem. As que dele se alimentam exercem também
a hematofagia sobre outros animais, domésticos ou
silvestres.
Consequentemente, o
combate às pulgas deve ser efetuado em três
diferentes níveis:
Sobre os animais domésticos parasitados,
No interior das habitações infestadas;
No ambiente peridomiciliar (quintais, lotes vagos, canis,
abrigos de animais, terrenos baldios etc.).
Em todos esses ambientes,
o controle pode ser efetuado através de métodos
mecânicos e/ou e químicos.
Métodos mecânicos
Sobre Animais Domésticos
(Cães e Gatos)
Catação manual - após inspeção
da pelagem do seu melhor amigo e conseqüente reconhecimento
de adultos, ovos e fezes. A coceira incessante, acompanhada
ou não por dermatite alérgica, é um
meio auxiliar de diagnóstico da infestação
por pulgas. O exame de fezes também pode evidenciar
a infestação, uma vez que, pelo hábito
de se coçar, seu cão ou gato pode acabar engolindo
algumas pulgas, e elas acabam não sendo digeridas;
Lavagem
da pelagem - principalmente quando realizada através
de jato forte ou quando se mergulha o animal em recipiente
adequado. As lavagens com óleos imobilizam as pulgas,
retendo-as na pelagem do hospedeiro, o que facilita o processo
de catação manual, se realizado logo em seguida;
Escovação ou penteação freqüente
- as espécies C. felis e C. canis,
por apresentarem ctenídios, aderem firmemente à
pelagem dos hospedeiros. O processo torna-se mais eficaz
quando um pente fino (32 dentes por polegada) for utilizado
após untar da pelagem. Este método é
recomendado para animais de pêlos curtos ou médios.
No
Interior das Habitações
Varreção cuidadosa da casa e posterior incineração
da varredura - quando efetuada repetidamente (se possível,
diariamente), promove um controle relativo;
Uso de aspiradores de pó - recolhe não apenas
ovos, larvas e pupas, mas, também, fezes de pulgas
e outros nutrientes orgânicos necessários à
alimentação das larvas. Lembrar sempre de
jogar fora o saco coletor para evitar reinfestação;
Lavagem do piso dos domicílios - mais eficaz se realizada
com água quente e xampu que, em se tratando de carpete,
limpa melhor as fibras, facilitando a penetração
de inseticidas, caso algum destes venha a ser empregado
posteriormente;
Calafetar ou rejuntar o piso da casa para evitar oferecer
abrigo ao animal;
Lavagem freqüente da "cama" do animal- representada
por panos, trapos, esteiras e similares que o animal utiliza
para dormir ou repousar.
No
Ambiente Peridomiciliar
Varreção freqüente do canil e outros
abrigos, com posterior incineração da varredura;
Manejo da vegetação - através de poda
e retira ervas e arbustos localizados nas proximidade das
casas dos animais ou ao longo de suas trilhas incluídas
no percurso de rotina;
Impedir o contato do animal com outros externos ao domicílio:
animais vadios de espécie ou itinerantes de outras
espécies (roedores sinantrópicos e campestres,
marsupiais etc.).
Métodos
químicos
Para o combate às
pulgas, vários inseticidas, pertencentes a diferentes
grupos químicos, encontram-se atualmente em uso,
por todo o mundo. Outros produtos, os reguladores de crescimento
(IGRs = insect growth regulators) e os inibidores de desenvolvimento,
embora não classificados propriamente como inseticidas,
atuam com a mesma finalidade.
Embora disponíveis
comercialmente sob várias formulações
(talco, xampu, sabão) para tratamento de animais
domésticos, o uso mais frequente tem sido através
de coleiras impregnadas, com o inseticida agindo por via
sistêmica, em caráter preventivo.
Um programa de controle
de pulgas, para ser qualificado como de boa qualidade, deverá
envolver diferentes estratégias, através da
utilização simultânea de métodos
mecânicos e químicos. O tratamento das infestações
nos animais domésticos deverá ser estendido
ao ambiente e vice-versa. É, também, de fundamental
importância saber que espécie(s) de pulga(s)
constitui(em) o foco de infestação, tendo
em vista as particularidades do ciclo biológico,
longevidade, preferência e intercâmbio de hospedeiros,
e veiculação de doenças. Assim, no
caso de infestação por X cheopis,
por exemplo, medidas de vigilância e combate aos roedores
(anti-ratização e desratização)
devem ser tomadas paralelamente.
O controle químico
requer cuidados, em face da toxicidade dos inseticidas.
Desde que a maior parte dos inseticidas não atua
sobre ovos e pupas de pulgas - não apenas devido
à ação do princípio ativo, mas
também em virtude da formulação empregada
-, a aplicação deve ser repetida duas vezes,
com um intervalo de uma semana. Quando polvilhado sobre
o corpo do animal, o inseticida deverá ser mantido
por meia hora; em seguida, lavar bem todo o pêlo do
animal com água e sabão. O pó (talco)
ou spray, quando aplicado na pelagem, deve ser aspergido
rente à pele do animal, o que facilmente se consegue
com o deslizamento de um pente fino no sentido inverso ao
da implantação dos pêlos.
No interior dos domicílios,
a aplicação do inseticida (polvilhamento,
bombeamento) deverá ser direcionada às frestas
do assoalho, cantos de paredes, carpetes, tapetes, panos
e trapos onde habitualmente repousam os animais domésticos.
A aplicação
intradomiciliar envolve as seguintes medidas de segurança:
Retirar, previamente, as crianças e os animais de
estimação (peixes, pássaros etc.) dos
locais-alvo de tratamento;
Cobrir adequadamente todos os alimentos e utensílios
de cozinha;
Retornar ao domicílio somente após completa
ventilação.
É muito importante
ressaltar que o uso de inseticidas é extremamente
perigoso e, havendo possibilidade, é sempre melhor
evitar o seu uso. O uso indiscriminado de inseticidas no
interior do domicílio e no ambiente peridomiciliar
requer experiência e cuidados. Conseqüentemente,
uma boa medida poderá ser a prestação
de serviços por parte de empresas profissionais de
reconhecida competência.