Espécies
de Importância Médica Encontradas no Brasil
Das oito famílias
de pulgas existentes no Brasil, apenas três apresentam
espécies de importância médica. Alguns
caracteres morfológicos e biológicos que permitem
a diferenciação das espécies de importância
médica, e, portanto podem ser classificadas como
pragas, são dados a seguir:
Pulex irritans
É a pulga que
mais freqüentemente ataca o homem, embora também
se alimente do sangue de outros hospedeiros.
É uma espécie
considerada cosmopolita e muito encontrada em ambientes
onde há pouca higiene, como casas velhas.
Não é
boa transmissora da peste bubônica. Sua picada pode
causar em pessoas mais sensíveis uma reação
dérmica generalizada – a chamada pulicose.
É muito semelhante às duas espécies
seguintes, diferenciando-se delas por:
Apresentar uma única cerda na parte posterior da
cabeça;
Forma da espermateca (traduzindo: uma estrutura como uma
cápsula, onde ficam abrigados os ovos) dos exemplares
fêmeas.
Xenopsylla
cheopis
É a pulga dos
ratos domésticos e comensais. É considerada
cosmopolita e a principal espécie transmissora da
peste bubônica entre roedores domésticos, podendo
depois passar destes para os homens.
X cheopis
apresenta as seguintes características que a diferenciam
da P. irritans:
Apresenta duas fileiras divergentes de cerdas na parte posterior
da cabeça, cujos pontos de inserção
formam a figura de um V;
Morfologia das espermatecas (no caso de indivíduos
fêmeas).
Ctenocephalides
felis e Ctenophalides canis
São pulgas de
carnívoros, e freqüentemente podem ser encontradas
parasitando indiferentemente cães e gatos. Apresentam
dois ctenídios (uma espécie de espinho ou
cerda) evidentes: genal e pronotal, nomeados de acordo com
sua posição no corpo da pulga: o genal está
no que seria a “bochecha”, e o pronotal, na
nuca. Em certas regiões do Brasil, C. felis é
a principal espécie de pulga que parasita cães.
Ambas as espécies podem, não raro, picar o
homem.
Em algumas regiões
do mundo, C. felis é também a pulga mais encontrada
no interior de certas habitações. A diferenciação
entre as duas espécies pode ser feita pelo ctenídio
genal: o primeiro dente é bem menor que o segundo,
em fêmeas de C canis, e um pouco menor que o segundo,
em fêmeas de C felis.
Polygenis
spp
São as pulgas
de roedores silvestres, mantenedoras da peste silvestre
nas Américas. Quase 50% das pulgas existentes no
Brasil pertencem ao gênero Polygenis. As
espécies mais freqüentes na zona de peste endêmica
do Brasil, isto é, região Nordeste e parte
da Sudeste, são P. bohlsi e P. tripus.
As várias espécies
de Polygenis podem ser diagnosticadas pela morfologia
das genitálias; porém, todas elas apresentam
em comum as seguintes características que as diferenciam
das demais espécies de pulgas citadas neste texto
(sobretudo as desprovidas de ctenídios):
Três fileiras de cerdas na porção posterior
da cabeça;
Duas fileiras de cerdas no abdome;
Pênis ou edeago bastante característico pelo
fato de ser enrolado e exibindo várias voltas (machos);
Forma das espermatecas (fêmeas).
Tunga penetrans
É o "bicho-de-pé",
também chamado "bicho-de-porco" e "bicho-de-cachorro".
Apesar de ambos os sexos serem hematófagos, apenas
a fêmea é que penetra nos tecidos, alimentando-se
de líquido tissular e sangue e se enchendo de ovos,
tomando uma forma hipertrofiada. É a menor espécie
de pulga conhecida (l mm).
Tudo indica que essa
espécie é originária da América,
tendo posteriormente atingido a África. Os hospedeiros
atacados mais frequentemente são: porco, homem, cão
e gato.
No homem, prefere penetrar
principalmente na sola plantar, calcanhar, cantos dos dedos
(dos pés e mãos) e raramente no escroto, ânus
e pálpebras. Quando as lesões cutâneas
são numerosas, próximas entre si e localizadas
na borda do calcanhar, recebem a denominação
de "favo de mel".