Um pouco sobre
a Peste Bubônica
No período de
1977/1991 foram registrados 14.752 casos de peste humana
em todo o mundo, com cerca de l.391 óbitos (9,42%).
Apenas em 1983 registraram-se 40 casos de peste humana no
sudoeste dos EUA, o maior número desde 1920.
Aqui no Brasil, a peste
bubônica entrou pelo porto de Santos em 1899, após
ter sido introduzida na América do Sul através
do porto fluvial de Assunção. Posteriormente,
a peste se disseminou para várias cidades litorâneas
e do interior. Passou a ter presença constante nas
áreas urbana, rural e silvestre. Com os combates
sistemáticos feitos contra as pulgas
(Xenopsylla cheopis) e contra os ratos reservatórios
(Rattus norvegicus - rato de esgoto; Rattus
rattus - rato de telhados; Mus musculus -
camundongos), a peste hoje se encontra no Brasil restrita
a certos focos silvestres do Piauí, Ceará,
Pernambuco, Bahia, Alagoas, norte de Minas e Rio de Janeiro
(Teresópolis-Friburgo).
A bactéria causadora
da peste bubônica, Yersinia pestis, é
um bacilo Gram-negativo, extremamente patogênico para
ratos, camundongos, cobaias, coelhos, macacos e para o homem.
É capaz de sobreviver e conservar sua infectividade
em fezes dessecadas de pulga, no solo e ninho de animais
por longo tempo (que pode durar de cinco a 16 meses!).
Há evidências
de que animais de estimação atuem também
na transmissão, pelas pulgas de roedores infectados
que eventualmente possam carregar. Em felinos, a doença
também pode ser contraída por ingestão
de roedores e coelhos infectados.
Em geral, a doença
humana ocorre após um surto da doença entre
os ratos. O aparecimento de numerosos ratos mortos é
o primeiro sinal de peste, que deve ser tomado como alarme.
Após a mortalidade dos ratos, as pulgas, necessitando
de alimentos, procuram outros hospedeiros. Em certas regiões
rurais do Nordeste, hospedeiros silvestres são atraídos
para o interior ou proximidade (paióis abertos, casas
de farinha), que abrigam algum cereal colhido e armazenado
sob a forma de grãos. Dessa forma, os roedores silvestres
e/ou campestres, bem como suas pulgas, são postos
em contato íntimo com os moradores. Todavia, mais
freqüentemente, as pulgas de roedores silvestres (Polygenis
spp), mudando de hospedeiros, podem trazer a peste
do meio rural ou silvestre para roedores domésticos.
Estes, com suas pulgas próprias (Xenopsylla cheopis)
mantêm a peste na zona urbana ou periurbana. Atingindo
o homem, a pulga pode infectá-lo através da
picada, ocorrendo a inoculação do bacilo.
A transmissão
através das fezes ainda é duvidosa (e, mesmo
que ocorresse, seria incomum). Alcançando os vasos
linfáticos, os bacilos são levados até
os linfonodos (os gânglios linfáticos), onde
produzem uma inflamação dolorosa, denominada
bubão (daí o nome “peste bubônica”).
Esta é a chamada forma bubônica da doença.
A partir deste ponto,
as bactérias podem cair na corrente sangüínea,
atingindo vários órgãos (pulmões,
fígado, baço, meninges etc). A forma pneumônica
pode ser adquirida dessa maneira ou por inalação
de perdigotos (gotículas de saliva expelidas quando
a pessoa fala ou espirra) provenientes de pacientes que
já estejam com lesões pulmonares. A forma
pulmonar é a mais grave, e sua letalidade é
muito próxima dos 100%!
Uma razoável
estimativa da infectibilidade da peste em determinadas regiões
poderá ser proporcionada através da observação
da relação pulga/rato – o chamado índice
pulicidiano. Desta forma, toda vez que a média de
pulgas em ratos for superior a cinco, e a pulga prevalente
for X cheopis, pode-se dizer que há um alto
risco de infecção. Ultimamente, tem-se admitido
um índice cheopis crítico de um (total de
X cheopis/total de ratos), segundo o qual medidas de controle
devem ser implementadas.
A prevenção
da doença consiste no combate sistemático
aos ratos e ao transmissor habitual, isto é, Xenopsylla
cheopis.