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Traças de Produtos Armazenados - Ordem Lepidoptera

Armazenagem de produtos e subprodutos agrícolas

Desde que o Homem começou a armazenar alimentos algumas espécies de seres vivos (fungos, bactérias, insetos, ácaros, entre outros) ocupou este novo ambiente. Aproveitando a alta oferta de alimentos e a estabilidade ambiental destes sistemas, evoluíram estratégias de vida de bastante sucesso. Entre elas podemos citar as adaptações para o baixo conteúdo de umidade destes sistemas e os mecanismos de aquisição e conservação de água, já que a água não é um recurso disponível nestes locais. É por isso que você pode ficar pasmo ao ver como uma traça pode povoar um pacote de farinha no sue armário de cozinha em pouco tempo, sem nem chegar perto de uma gotinha de água.

Hoje se estima que as perdas relacionadas à estocagem estejam entre 10 e 30% da produção do campo, sendo que especialmente em países tropicas e em desenvolvimento as perdas sejam maiores devido às condições climática que favorecem esta biota e às condições não satisfatórias da infra-estrutura de armazenamento.

Em sua maioria, as pragas encontradas em grãos e seus subprodutos têm sua origem em áreas tropicais e subtropicais, mas algumas espécies conseguiram se adaptar a climas temperados devido à capacidade de entrarem em diapausa.

A comercialização e o transporte dos produtos de origem agrícola facilitaram a disseminação destes organismos, que hoje são considerados em sua maioria tendo distribuição cosmopolita. Ou seja, aonde quer que você vá elas podem estar lá !

Cientistas afirmam que somente cerca de 15 espécies são totalmente capazes de se desenvolverem em grãos íntegros. E por isso são denominadas de pragas primárias. Estas têm, geralmente, estruturas bastante robustas (as mandíbulas) que permitem romper uma parte do grão para poderem chegar ao seu conteúdo interno, onde se alimentam.

As pragas primárias se dividem em duas categorias em função da forma que se desenvolvem na massa de grãos:

pragas internas: que se desenvolvem dentro do grão;

pragas externas: que se alimentam do grão, podendo furá-lo, mas se desenvolvem externamente a este.

Mas, além das pragas primárias, também temos as pragas secundárias, que são aquelas que se utilizam de grãos quebrados e subprodutos destes, como farinhas, farelos, alimentos já processados.

Vale lembrar que boa parte das pragas neste ambiente são polífagas, ou seja, se alimentam de várias espécies vegetais e de seus subprodutos. E se falta alimento de origem vegetal, para algumas espécies não têm problema, pois atacam os de origem animal!

As alterações causadas pela ação das pragas primárias e secundárias nos produtos criam um ambiente propício para outras espécies, que são chamadas de pragas oportunistas. Estas vão se alimentar basicamente de restos de insetos mortos e fungos.

Dentre as principais pragas de grãos armazenados podemos citar espécies das ordens Coleoptera (chamados popularmente de besouros, gorgulhos ou carunchos) e Lepidoptera (mariposas e suas formas imaturas, as traças).

Traças de grãos

Dentre as pragas de produtos armazenados, encontramos as traças de grãos, formas imaturas de pequenas mariposas que colocam seus ovos no interior ou sobre o alimento.

As lagartas (traças), ao nascerem, começam a se alimentar do produto em que se encontram, e aí ficam até completarem o estágio de larva e estarem prontas para se transformar em pupa. A partir deste momento, constrói um casulo, de onde vai emergir o inseto adulto. Ou seja, têm desenvolvimento holometábolo.

Os danos causados por estes insetos podem ser tanto qualitativos (quando a perda da qualidade do produto) quanto quantitativos aos produtos Também são responsáveis por danos à maquinaria de moinhos, pois espécies cujos imaturos que produzem seda formam grumos de alimento e dejetos, causando danos mecânicos. Mas, cabe frisar que todos os casos mencionados são decorrentes principalmente da atividade das larvas.

Estes lepidópteros são insetos muito frágeis que infestam superficialmente os produtos armazenados. As fêmeas liberam o chamado feromônio sexual, uma substância química que serve para atrair o macho e iniciar o acasalamento. Desta maneira, estas pragas podem reinfestar muitas vezes o mesmo lote de produto, ao longo de várias gerações. As traças dos grãos podem atacar grãos de milho, arroz, trigo, cevada, sorgo e centeio, e também frutos secos como figo e damascos, produtos farináceos, leite e chocolate em pó, fumo, especiarias, nozes e amêndoas, cogumelos secos, biscoitos e até sementes de hortaliças!

Os principais gêneros encontrados como espécies pragas em grãos e em diversos produtos armazenados são Plodia e Ephestia.

A seguir, veja alguns exemplos de algumas traças dos grãos mais famosas.

Traça do milho – Sitotroga cerealella (Gelechiidae)

Esta traça ataca o milho, o arroz, o trigo, a aveia, a cevada, e também subprodutos, como farinhas, fubás e farelos.

O inseto adulto é uma pequena mariposa de cor amarelo palha, que mede de 10 a 15 mm de envergadura (de ponta a ponta das asas abertas). As asas anteriores são amareladas, brilhantes e estreitas, com longas franjas na parte de trás. Já as asas posteriores são brilhantes, claras e levemente acinzentadas, e possuem largas franjas, maiores que nas asas anteriores.

As fêmeas acasalam logo após sua emergência, sendo que cada uma pode colocar em média 150 ovos. Estes são preferencialmente depositados em fendas e frestas entres os grãos.

As lagartas são brancas e de mandíbulas escuras, e ao nascerem, escavam os grãos e se alimentam de seu conteúdo, praticamente destruindo a parte interna da semente. Quando atinge o seu tamanho máximo, a lagarta abre um buraquinho circular no grão e se transforma em pupa, e só sai do grão ao transformar-se em mariposa. O ciclo todo é completado em cerca de 5 semanas.

Traça do amendoim – Corcyra cephalonica (Pyralidae)

Esta espécie ataca o amendoim e também amêndoas de cacau, biscoitos, sementes de milho, sorgo, trigo e arroz. Apesar de atacar grãos íntegros, tem a capacidade de utilizar grãos quebrados para o seu desenvolvimento.

O adulto é uma mariposa pequena, mas de tamanho que varia bastante: de 12 a 25 mm de envergadura nas asas. As asas anteriores são prateadas e as posteriores esbranquiçadas. É interessante que, quando estão em repouso, qualquer que seja o ângulo com a superfície, elas ficam em posição obliqua, com a parte anterior muito levantada.

Essas mariposas tem hábitos noturnos e voam em ziguezague. As fêmeas acasalam logo depois de nascerem, iniciando o período de oviposição no prazo de 5 dias.. Seus ovos são colocados individualmente em superfícies ásperas, de preferência, ou colados à superfície por uma substância adesiva. Logo depois que nascem, as lagartas começam a se alimentar, produzindo fios de seda que servem para sua proteção. Quando estão prestes a se transformar em pupa, tecem um casulo alongado e resistente, de cor marrom. Estes casulos são frequentemente encontrados em grupos. A duração do ciclo é variável, dependendo do tipo de alimento do qual a lagarta se alimenta, variando de 40 a 70 dias.

Traça dos cereais - Plodia interpuctella (Pyralidae)

 

É uma pequena mariposa com 15 a 20 mm de envergadura, e possui na cabeça um tufo de pelos em forma de pequenos chifrinhos. As asas anteriores têm dois traços distais avermelhados e o terço basal acinzentado. Já as posteriores são arrendondadas e mais claras.

A fêmea pode pôr de 150 a 400 ovos, sejam isolados ou em grupo! As larvas, brancas e com partes do corpo com coloração rosada, chegam a medir de 12 a 14 mm de comprimento e, para se transformarem em pupa, também tecem um pequeno casulo.

É considerada uma praga primária externa, ou seja, alimenta-se do embrião de grãos íntegros, mas se desenvolve na massa de grãos e não no interior do grão.

Atacam trigo, milho, arroz e farinha.

   

Traça da farinha - Ephestia kuehniella e Ephestia elutella (Pyralidae)

Estas duas espécies são muito semelhantes. São mariposas pardas, de cerca de 20 mm de envergadura. As asas anteriores são longas e estreitas, acinzentadas e com manchas cinza escuras. As asas posteriores são mais claras.

A fêmea pode por de 200 a 300 ovos e as larvas chegam a 15mm de comprimento. Elas são de cor rosada, com pernas e cabeça de cor castanha e tecem um casulo de seda, e empupam em seu interior.

O ciclo completa levs cerca de 40 dias. Estas espécies são chamadas de pragas secundárias, pois as larvas se desenvolvem sobre resíduos de grãos e de farinha que são resultado da ação de outras pragas. Seu ataque torna o produto inadequado para consumo, devido à grande quantidade de resíduos dos insetos no produto final e à grumagem no produto, causada pela secreção de fios de seda pelas larvas durante a alimentação.

 

Traça do cacau – Ephestia (Cadra) cautela

Além do cacau, esta espécie de traça ataca cereais, grãos oleaginosos, raízes e tubérculos secos. É bastante freqüente em produtos armazenados nas áreas tropicais.

O adulto é uma mariposinha de 1 cm de comprimento, da cabeça às pontas das asas, quando fechadas. Tem coloração acinzentada e uma característica que permite sua rápida identificação: asas anteriores com três estrias transversais brancas, duas na base e uma na ponta das asas.

A lagarta se alimenta no interior da amêndoa do cacau e, através do orifício de entrada, expele seus excrementos, que são ligados entre si por fios de seda, produzidos por ela. No entanto, a lagarta não é capaz de penetrar na semente, a não ser que já exista alguma quebra nela. Assim, quando se elimina as sementes danificadas a chance de ocorrer uma infestação pela traça do cacau já é bem reduzida. Completando o seu desenvolvimento, a lagarta migra para fora do saco de cacau e começa a tecer um casulo de seda, dentro do qual se transformará em pupa.