Ao contrário
do que você possa pensar os animais não criaram
asas só para poder entrar nas nossas casas.
Na verdade, o vôo
evoluiu de maneira independente em diferentes grupos (insetos,
aves e mamíferos), sendo considerado por isso um
caso de convergência adaptativa, pois as asas têm
origens diferentes. No caso de insetos há várias
hipóteses sobre a origem do vôo. Estudos recentes
indicam que as asas, provavelmente, se originaram a partir
de brânquias, estruturas ligadas à respiração.
Já no caso de vertebrados (aves e mamíferos)
elas são modificações de membros posteriores,
e possivelmente tiveram origem a partir espécies
arborícolas. Porém, a força propulsora
para esta inovação biológica nestes
grupos foi a mesma: ocupar um ambiente inexplorado, o ar.
Além disso, a aquisição da capacidade
de vôo propiciava um novo mecanismo de fuga dos predadores
terrestres e aumentava a sua possibilidade de dispersão,
o que colaboraria no estabelecimento de novas áreas
para a reprodução e também na busca
de boas condições de vida, quando ao ambiente
não é propício. Este último
caso pode ser exemplificado pelas migrações.
Várias espécies
de animais voadores conseguiram se adaptar ao ambiente urbano.
Baratas, mosquitos, cupins, formigas, pombos e morcegos
são os de maior destaque. Porém, apresentam
características bem diferentes.
Nos insetos, as asas
aparecem somente nos indivíduos adultos. As baratas,
que tem desenvolvimento paurometábolo, apresentam
ninfas que ocupam o mesmo ambiente dos adultos. Algumas
espécies são ápteras e outras aladas.
Dentre as aladas há aquelas com capacidade de vôo
maior que as outras, mas em geral voam pequenas distâncias.
As baratas domésticas vivem em grupo e têm
atividade noturna. Proliferam bastante em ambientes quentes
e úmidos e onde alimentos estejam ao seu alcance.
Já no caso dos
mosquitos, as formas imaturas são larvas, que passam
pelo processo de metamorfose holometábola, desta
forma mudam de larva para o estágio de pupa e deste
para o estágio adulto. Os mosquitos mais freqüentes
em nossos lares (Culex quinquefasciatus, Aedes aegypti
e A. albopictus) têm larvas aquáticas.
As de C. quinquefasciatus se desenvolvem a partir
de massas de ovos (jangada) colocados diretamente em águas,
de preferência, ricas em matéria orgânica.
Por outro lado as de Aedes se desenvolvem a água
limpa, a partir de ovos colocados na borda dos criadouros,
próximos à superfície da água.
Em ambos os casos somente as fêmeas picam, sendo atraídas
ao corpo humano por sinais como calor e CO2 entre outros.
Porém, os ataques acontecem em períodos diferentes:
C. quinquefasciatus age no crepúsculo e à
noite, enquanto Aedes aegypti ou A. albopictus
picam durante o dia. Em relação à capacidade
de dispersão, os Aedes tendem a ficar próximos
aos locais onde as larvas eclodiram, sendo que poucas vezes
a dispersão acontece distâncias maiores a 100m.
Em geral, a sua capacidade de colonizar novos ambientes
está relacionada ao transporte passivo com a ajuda
do homem. Já C. quinquefasciatus pode voar
quilômetros em busca de novos hospedeiros.
No caso específico
de cupins e formigas, que são insetos sociais, as
asas só surgem em adultos reprodutivos. As demais
castas são ápteras (sem asas). Apesar de muitas
pessoas confundirem cupins e formigas, os dois pertencem
a ordens diferentes: Isoptera e Hymenoptera, respectivamente.
Os primeiros têm metamorfose incompleta, ou seja,
as formas jovens são muito semelhantes ao adulto.
Já os formicídeos apresentam desenvolvimento
completo, no qual os estágios juvenis (larva e pupa)
não lembram em nada os adultos. Ao voar tanto formigas
quanto cupins alados buscam por novos locais para instalar
suas colônias, porém tem baixa capacidade de
vôo.
Tanto pombos (Classe
Aves) quanto morcegos (Classe Mammalia) são do Filo
Chordata e estão na superclasse Tetrapoda. Como todas
as aves, os pombos apresentam como características
visíveis a olho nu penas cobrindo o corpo e o par
de extremidades anteriores adaptado para o vôo, as
asas. Apresentam hábitos diurnos e espécies
tão adaptadas ao convívio humano que são
consideradas totalmente domesticadas. Já os morcegos
são mamíferos noturnos da Ordem Chiroptera.
Com o corpo coberto por pêlos e os membros anteriores
modificadas em asas, são os únicos nessa classe
a ter a real capacidade de voar. É importante ressaltar
que tanto pombos quanto morcegos não necessariamente
obtêm alimentos no local onde estão se abrigam,
este pode ser buscado nas imediações. Ambos
apresentam boa capacidade de vôo.
Um pouco de ecologia
simplificada para entender as pragas
Colonização,
estabelecimento e dispersão são termos em
ecologia que podem nos ajudar a entender melhor as pragas
e a manejá-las adequadamente.
Vamos usar como exemplo
a barata. Pois bem, seu grande objetivo biológico
é perpetuar sua espécie, como qualquer ser
vivo. Imagine então a sua casa e uma barata que saiu
da caixa de gordura porque já tinha muitas competidoras
por lá. Pois bem, passeando à noite este “inocente”
inseto se depara com a parede da sua cozinha. Um vôo
curto...alguns passos na superfície e chega na janela.
Ops...que bom!...Não é que a fresta na janela
é grande o suficiente para esta curiosa criatura
xeretar? Tudo escuro e silencioso, ambiente úmido....parece
seguro entrar. Ao encontrar este novo hábitat a barata
pode achar que chegou ao seu novo lar. Mas, só chegar
não basta. Ela tem que encontrar boas condições
para permanecer neste ambiente. Um pouco de comida que caiu
sobre a pia e você ficou com preguiça de limpar,
água no pratinho do cachorro e um lugar legal para
ficar sem ser perturbada, tipo uma frestinha atrás
de um armário, já são o suficiente
para invasor resolver ficar, se estabelecendo no lugar.
E como não ficar, não é mesmo? Afinal
o complexo ambiental está a favor dele. Lá
na frestinha ela põe sua ooteca, uma “caixinha”cheia
de ovos, e em breve destes eclodem suas ninfinhas. Comem,
crescem, reproduzem e à medida que a competição
vai aumentando vem o dispersar, pois é necessário
buscar por novos habitats e diminuir a concorrência.
E lá vão elas para os seus armários
de quarto, para o banheiro, para a vizinha.....
Acho que com este exemplo
fica fácil entender que ter pragas em nossos ambientes
depende muito do fato de permitirmos a sua colonização
e o estabelecimento. Medidas preventivas que incluam o manejo
das condições ambientais podem minimizar bastante
tanto a entrada destes organismos, quanto sua permanência.
E por tabela também diminuem o sucesso reprodutivo
das espécies, diminuindo as chances de infestação.
Mas, não se
iluda: as medidas de prevenção têm que
ser uma prática cotidiana, pois estes animais estarão
sempre tentando arrumar uma brecha para nos fazer companhia,
afinal apresentam certo grau de antropofilia.
Por fim, uma última
consideração: achar que é possível
erradicar estes organismos é uma postura muito otimista,
principalmente em um mundo globalizado, onde todos estão
ligados pelo transporte, inclusive as pragas.
Medidas para
o controle de pragas voadoras
Apesar das diferentes
características apresentadas pelos grupos de insetos
alados, aves e mamíferos considerados pragas, podemos
estabelecer algumas diretrizes para seu controle preventivo.
São elas:
1.
Evite atrair as pragas. E para isso:
não deixe alimentos ou lixo expostos, pois o olfato
é um sentido bem apurado nos animais;
evite deixar as luzes acesas em dias de revoadas de cupins;
2.
Proteja seu ambiente de forma a evitar a colonização
por pragas usando, por exemplo:
telas podem ser usadas nas janelas, portas, caixas de ar
condicionado e sacadas;
fitas de nylon ou espículas pontiagudas podem ser
usadas nos beirais de janelas;
fitas metálicas, com escovo ou de borracha podem
ser colocadas na soleira das portas;
também vede bem caixas de gordura e mantenha ralos
fechados;
vede todos os acessos ao seu telhado e não se esqueça
de substituir telhas quebradas.
3.
Abuse das medidas de higiene e procure eliminar possíveis
locais de instalação para as pragas. Estas
medidas são fundamentais para dificultar o seu estabelecimento;
4.
Preste muita atenção nas coisas que entram
na sua casa, pois apesar de estarmos falando de pragas voadoras,
devemos lembrar que em algumas destas espécies (baratas,
cupins, mosquitos, formigas entre outras) podem ser trazidas
em escondidas em vários tipos de objetos, como caixas,
móveis, eletrodomésticos e vasilhames, por
exemplo.
Mas, se já
é tarde demais e as temidas pragas voadoras já
estão “fazendo a festa” na sua casa,
chame uma empresa idônea e peça orientação,
pois as medidas curativas exigem conhecimento técnico
e muitas vezes também implicam no uso de produtos
químicos.