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A Vida das Brocas de Madeira

As brocas de madeira não podem ser confundidas com os cupins que também atacam este material.

Os cupins são um grupo de insetos sociais que pertence à ordem Isoptera e que vive em colônias. Já as brocas, que são a fase larval dos besouros, geralmente seguem o lema “cada um por si”, ou seja, vivem independentemente umas das outras.

Nos coleópteros o desenvolvimento é chamado do tipo holometábolo. Isto significa que estes coleópteros apresentam a chamada metamorfose completa ao longo de seu desenvolvimento.

Mas... o que é metamorfose completa?!

Dizer que um inseto apresenta metamorfose completa quer dizer que o seu desenvolvimento possui as fases de ovo, larva, pupa e adulto. Então, uma fêmea adulta deposita seus ovos e, destes ovos nascem as larvas. Estas larvas, depois de um certo tempo, vão se transformar em pupas, fase em que ficam inertes. Lá dentro da pupa, ocorre a transformação para adulto, ou melhor, a metamorfose. Os adultos, então, saem de seus casulos e estão prontos para se acasalar e produzir mais ovos, começando novamente todo o ciclo.

O ataque por brocas de madeira se inicia justamente quando a fêmea adulta deposita seus ovos na madeira. As larvas que nascerem desses ovos vão se alimentar da madeira até atingirem o estágio de pupa. A partir daí, as pupas se transformam em adultos. A fase larval é a mais longa da vida destes insetos e a principal responsável pelos danos causados à madeira. Uma vez transformados em adultos, os insetos perfuram a madeira e saem para o meio externo. A saída dos adultos da madeira é facilitada porque a transformação das pupas em adultos ocorre, geralmente, próxima à superfície, e, dessa maneira, os adultos não precisam cavar muito para sair. Uma vez fora da madeira, os machos e fêmeas se encontram, se acasalam, e as fêmeas voltam a depositar seus ovos, seja na mesma peça de madeira ou em outra.

A época em que os adultos saem da madeira é quando, de maneira mais fácil, podemos perceber o ataque pelas brocas. Observamos um pequeno orifício e, em volta dele, ou nas suas proximidades, encontramos acumulada uma serragem, também chamada de resíduo ou pó de broca. Esta serragem é resultado da escavação feita pelo adulto para sair da madeira. Nesta fase, o ataque pelas brocas de madeira pode ser freqüentemente confundido com o ataque de cupins de madeira seca. Porém, não há razão para essa confusão, é só reparar bem: as fezes eliminadas pelos cupins são perfeitamente diferentes dos resíduos que são produzidos pelas brocas.

A madeira é a fonte de alimento para a maioria da brocas, principalmente o amido que está presente nessa madeira. Além da quantidade e qualidade dos nutrientes presentes na madeira, o desenvolvimento desses insetos também é influenciado por outros fatores, principalmente umidade e temperatura, em maior ou menor grau dependendo da espécie de broca. Desde a árvore viva até a madeira em uso, diferentes grupos de brocas atacam a madeira, nas diferentes fases do seu beneficiamento. Assim, apesar da enorme variedade de espécies de brocas, podemos de uma maneira muito prática, agrupar estes coleópteros em três grupos definidos conforme o estágio em que a madeira se encontra, o qual está diretamente relacionado com o seu teor de umidade. Essa classificação considera o hábito mais freqüente dentro de cada grupo. Mas, como sempre existem exceções, essa classificação não se aplica, necessariamente, a todas as espécies de um mesmo grupo.

Brocas que atacam a árvore viva ou recém abatida

Quando a árvore encontra-se viva ou foi abatida há pouco tempo, a madeira apresenta alto teor de umidade. As brocas que atacam a madeira nessas condições são principalmente os coleópteros das famílias Cerambycidae, Platypodidae e Scolytidae.

Cerambicídeos

Os cerambicídeos (Família Cerambycidae) são conhecidos como “serra-paus”. Suas larvas que atacam os caules de árvores vivas, mas também podem ser encontrados atacando árvores recém abatidas e madeiras apodrecidas, assim como também podem infestar madeiras macias. Quando adultos estes besouros podem ser reconhecidos facilmente: apresentam longas antenas, possuem coloração preto-azulada e medem de 12,7 a 19,0 mm de comprimento. Além disso, possuem diversas marcas brancas na parte superior das asas e das longas antenas.

As fêmeas dos cerambicídeos normalmente põem seus ovos nas fendas das toras ou troncos de madeira. As larvas eclodem e precisam de 3 a 5 anos ou até mais para chegar à idade adulta. Elas têm de 12,7 a 38,1 mm e são brancas, segmentadas, com uma cabeça alongada e de tom marrom. Cavam a madeira e vão construindo galerias irregulares. Nos momentos de silêncio, podemos ouvir um som seco ou de raspagem: é o barulho que as larvas fazem quando estão se alimentando. Os adultos saem através de um furo oval que cavam na madeira.

Dependendo da espécie de cerambicídeo, o ataque pode ficar restrito à porção logo abaixo da casca da árvore. Mas também pode penetrar no alburno (a parte mais externa do tronco de madeira) ou ainda ser mais profundo, atingindo o cerne (a parte central e mais resistente do tronco) da madeira. O cerambicídeo Hylotrupes bajulus é um sério problema nos países do hemisfério norte, no entanto, é uma broca de madeira seca. No Brasil esta espécie é encontrada desde o Estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul.

Como reconhecer madeiras infestadas por cerambicídeos?

Normalmente, os proprietários de residências só vêem os danos e não as brocas, o que muitas vezes os faz ter ataques de fúria ou desespero.

O dano na fase larval ocorre totalmente abaixo da superfície da madeira, onde as larvas cavam seus túneis, e por isso ficam “invisíveis” aos donos das residências. Entretanto, as fezes destes coleópteros ocupam mais espaço do que o volume de madeira que é consumido. Por isso, essas fezes preenchem totalmente os túneis, provocando um efeito de bolhas ou ondas na madeira, que pode ser percebido se observado com atenção. As fezes das larvas de cerambicídeos têm a forma de um pó fino, semelhante ao talco, e são encontradas compactadas de maneira não muito precisa nos túneis e em pequenas pilhas na parte de fora do buraco. Os furos de saída dos adultos são ovais e têm cerca de 6 a 9,5 mm de diâmetro.

Platipodídeos e Escolitídeos

Quando a madeira recém-abatida contém ainda um elevado teor de umidade as brocas das famílias Platypodidae e Scolytidae são freqüentes. Pertencentes a esses grupos encontram-se também espécies que atacam árvores vivas, e que em algumas regiões do mundo representam um grande problema porque podem causar a morte da árvore.

A grande maioria dessas brocas são espécies que, ao mesmo tempo em que depositam seus ovos na madeira, introduzem também um tipo de fungo, que servirá como principal fonte de alimento para as suas larvas. Esses fungos, chamados de fungos de ambrósia, são os responsáveis por causar as manchas que vemos em volta dos orifícios e ao longo das galerias desses insetos. Mesmo quando o ataque não foi muito profundo, a grande quantidade de orifícios e galerias e as manchas causadas pelos fungos causam grande diminuição do valor da madeira. Tanto as brocas quanto os fungos utilizados por elas na sua alimentação precisam de alta umidade na madeira para seu desenvolvimento. Por isso, a madeira seca está livre do ataque desses insetos.

Brocas que infestam a madeira durante a secagem

Nesta etapa, a madeira apresenta teores médios de umidade e o principal grupo de brocas que ataca a madeira nessa fase são os coleópteros representantes da família Bostrychidae.

Bostriquídeos

Os bostriquídeos podem ser observados eclodindo (quer dizer, saindo por meio de seus furos) de madeiras secas ou que já estão em uso pelo homem. Isto ocorre porque esses insetos, embora infestem a madeira enquanto ela ainda está úmida, conseguem completar seu desenvolvimento na madeira quando ela já se encontra seca. Este é um fator que contribui muito para que esses insetos possam ser introduzidos em outras regiões, levados de um lugar para outro no interior de madeiras infestadas.

Os bostriquídeos adultos têm cerca de 3 a 19 mm de comprimento e apresentam coloração que vai desde o marrom avermelhado até o preto. O corpo destes insetos é alongado e cilíndrico, com um tórax robusto. A cabeça fica escondida pelo pronoto desde a parte superior. Mas... o que é pronoto? O pronoto é uma projeção rígida da primeira placa dorsal presente no tórax do inseto. As suas antenas são curtas e seus 3 ou 4 segmentos finais são serrilhados e ampliados. A larva dos bostriquídeos é branca, em forma de “C” e sem espinhos no corpo. Seu ciclo de vida dura cerca de 1 ano.

Os bostriquídeos atacam madeira macia e dura, especialmente pisos ainda não acabados, soleiras de janelas, móveis, etc. Uma curiosidade é que os itens de bambu são especialmente suscetíveis ao ataque de algumas espécies de bostriquídeos, como o Dinoderus minutus. Esta espécie é uma praga de bambu amplamente distribuída, e ataca o bambu quando árvore viva e também causa muitos danos a móveis feitos de bambu.

Como reconhecer madeiras infestadas por bostriquídeos?

Os furos arredondados de saída dos bostriquídeos adultos têm de 3,2 a 4,8 mm de diâmetro. As suas fezes têm forma de uma espécie de serragem e se aglutinam, isto é, ficam grudadas juntas. As fezes são encontradas muito bem compactadas dentro das galerias, mas não são encontradas nos furos de entrada.

Representantes das quatro famílias anteriormente citadas - Cerambycidae, Platypodidae, Scolytidae e Bostrychidae - podem ser encontrados em habitações. Isto ocorre porque algumas dessas brocas conseguem completar seu ciclo de vida na madeira já seca, como o caso típico dos bostriquídeos. Outra razão, que pode ser ainda mais freqüente, é de que a madeira utilizada nesses casos não estava completamente seca, ou foi utilizada imediatamente após a secagem.

Brocas que atacam madeiras secas

A madeira seca geralmente apresenta teores de umidade abaixo de 30%. Esta é a condição da maioria das madeiras utilizadas pelo homem. Insetos coleópteros das famílias Anobiidae e Lyctidae são as principais brocas que atacam a madeira nessas condições.

Anobiídeos

Os besouros da família Anobiidae apresentam hábitos alimentares variados, podendo atacar sementes e caules de várias plantas, produtos manufaturados, sejam de origem vegetal ou animal, madeira, livros, etc. Espécies dos gêneros Anobium e Trycorinus são os representantes da família que são mais freqüentemente encontrados atacando madeiras, como o besouro cosmopolita Anobium punctatum. Esta espécie é uma praga doméstica bem conhecida por atacar móveis. Já em bibliotecas, encontramos principalmente brocas do gênero Falsogastrallus e também de Trycorinus.

 
Figura 2. Adulto e larva de Anobiidae
 
Os anobídeos normalmente têm de 1,6 a 6,3 milímetros de comprimento e são de cor parda mais ou menos escura e geralmente uniforme, variando do marrom avermelhado ou marrom acinzentado ao marrom escuro. O corpo é cilíndrico, alongado e coberto de uma espécie de pêlos finos. Quando olhamos um anobídeo de cima, podemos pensar: “Nossa, um besourinho sem cabeça!”. Calma, os anobídeos têm cabeça, sim! Ela é coberta pelo pronoto desde a parte superior e muito inclinada para baixo, tornando-se invisível quando se examina o inseto de cima. Os últimos três segmentos das antenas normalmente são compridos e largos.
 
Figura 3. Vista superior de Anobiidae, destacando o pronoto cobrindo a cabeça
 

Hexarthrum ulkei é uma espécie de curculionídeo em que os adultos apresentam comprimento de 3 a 6 mm e possuem coloração que vai do marrom avermelhado ao marrom escuro. Também apresentam linhas profundas, como se fossem canaletas, ao longo de seus élitros. Esta espécie prefere atacar madeiras macias, como Pinus sp., e que estejam danificadas pela umidade. Por isso, este curculionídeo é geralmente encontrado em estruturas antigas, que estejam próximas a banheiros e outras áreas que ficam bastante expostas à água. O resíduo produzido pela atividade desta espécie é composto de minúsculas bolinhas ovais, e é levemente arenoso. Infestações deste curculionídeo normalmente ocorrem em lugares escondidos, e, por isso mesmo, os danos podem ser bastante extensivos. Eles podem infestar facilmente áreas que sejam propensas a apresentar alta umidade.

Já os adultos da espécie Euophryum sp., possuem de 2,5 a 5 mm de comprimento e são desde castanho-avermelhados a pretos. Suas larvas, além de serem castanho-claras, em forma de C e sem patas, são também enrugadas. Os ovos são depositados individualmente pela fêmea, em orifícios vazios. São brilhantes, brancos, flexíveis, achatados numa extremidade e eclodem em cerca de 16 dias. As larvas vivem, escavando túneis na madeira, durante um período que pode ir de seis meses a um ano. Transformam-se em pupa perto da superfície, e assim permanecem durante duas a três semanas. Os adultos, que emergem no verão – deixando seus orifícios de saída –, podem viver mais de um ano. Os danos causados por esse curculionídeo também estão associados a madeiras úmidas e em decomposição, principalmente madeiras atacadas por fungos. Porém, as infestações também podem se alastrar para madeiras saudáveis existentes nas proximidades.

Causas da infestação por brocas de madeira na construção civil

Dentre as causas que favorecem a instalação e a ação destes organismos deterioradores (ou seria desesperadores?), duas delas estão diretamente ligadas à construção civil:

durante a construção, frequentemente são criadas condições favoráveis para a instalação e proliferação destes organismos deterioradores de madeira. Isso pode ocorrer, por exemplo, devido à falta de limpeza e tratamento prévio do terreno. A existência de restos de madeira infestados e deixados nos aterros e fundações da edificação também ajuda, além da não remoção de madeiras de uso temporário durante a obra, como formas de concreto;

o emprego indiscriminado de madeiras de baixa resistência natural, sem um devido tratamento de preservação, também facilita a instalação e a ação destes organismos deterioradores.