Os cupins são
insetos sociais que pertencem à Ordem Isoptera. “Iso”
significa igual em latim e “ptera”
se refere às asas. Ou seja, os cupins são
animais que apresentam asas anteriores e posteriores iguais,
quando estas estão presentes.
Normalmente se associa
a imagem dos cupins às madeiras estragadas e às
crises nervosas das vovós que choram pela perda da
tão (antiga) apreciada cadeira de balanços
de madeira que foi da tataravó. De fato, os cupins
são potenciais pragas urbanas e atacam veementemente
as madeiras e objetos afins. Contudo, o que ninguém
sabe é que os cupins são dotados de extrema
complexidade biológica e têm uma função
extremamente importante na manutenção dos
ecossistemas da Terra. Diferentemente do que se pensa popularmente,
estudar os cupins é de suma importância. Mas
no que a vida desses pequenos insetos afeta nossas vidas?
Por que os cupins gostam tanto de madeira? Leia o texto
e entenda um pouco mais sobre a Termitologia, ciência
que estuda os cupins e suas curiosidades.
Biologia dos cupins
Os cupins são
mundialmente conhecidos como térmites, que em latim
significa verme. O nome cupim tem origem Tupi e, portanto,
é da nossa gente. Estes insetos também são
conhecidos popularmente como aleluias, sararás e
siriluia.
A ordem Isoptera é
representada por sete famílias, mas só três
delas têm representantes de cupins considerados pragas
no Brasil: Kalotermitidae, Rhinotermitidae e Termitidae.
Considerando-se o mundo
inteiro, existem 2750 espécies de cupins.
Dessas, 300 foram descritas no Brasil e somente uma pequena
parte, cerca de 30, são consideradas pragas urbanas.
Tanto áreas tropicais como temperadas são
palco para a diversidade dos cupins.
A grande importância
dos cupins nos ecossistemas é devido ao fato de os
cupins serem animais extremamente abundantes que transformam
minerais e componentes orgânicos, atuando na ciclagem
de nutrientes e na estruturação dos solos.
Para se ter uma idéia, a densidade de cupinzeiros
pode atingir 1.000 cupinzeiros por hectares e 1.000-10.000
cupins por m2. Ou seja, têm muito cupim no mundo e
essa enorme quantidade faz com que os cupins superem os
valores obtidos por outros animais decompositores no solo.
Por isso os cupins são tão importantes.
Os cupins
são provavelmente os principais agentes que contribuem
para a degradação da madeira. Eles são
capazes de encurtar o tempo em que grandes e volumosos troncos
de madeira seriam decompostos e incorporados na dinâmica,
principalmente, do ciclo do carbono e outros nutrientes
na natureza.
Mas como já
destacado os cupins não são importantes somente
tendo em vista a decomposição da madeira.
São importantes para o solo, influenciando diretamente
na sua fertilidade. Os cupins ao construírem seus
ninhos no solo fazem vãos e canalículos, sendo
mais eficientes que as minhocas nesta função.
Este processo permite com que os solos sejam aerados e drenados.
A movimentação dos cupins faz com que haja
maior circulação de partículas nos
horizontes do solo. Por conseqüência, outra função
importante seria a de descompactação, bem
como a manutenção da porosidade e distribuição
de matéria orgânica. Ou seja, este grupo tem
grande relevância tanto para a estruturação
física quanto química do solo.
Atividades como a agropecuária
fazem com que o solo seja exaurido, compactado e promovem
deficiência de nutrientes. Os cupins
poderiam ajudar a restaurar esse cenário. Ninhos
de cupins, como de Macrotermes, que proliferam
bastante nas vegetações degradadas pela ação
humana, conduzem à formação de ilhas
de vegetação mais exuberante, gradual e sucessivamente
mais arbóreas e maiores. Dessa forma, além
de serem indicadores de degradação do solo,
a atividade dos cupins é importante no seu processo
de regeneração.
Como todos os seres
na natureza, as populações de cupins
permanecem em equilíbrio ecológico, sobretudo
por meio de predadores. Quem são esses? Principalmente
as formigas. Desde invadir cupinzeiros até cercos
a colunas forrageiras de cupins, as formigas são
especialistas em formas de conseguir esse tipo de alimento.
Outro predador eficiente são as larvas de coleópteros
(ordem dos besouros e das joaninhas). Algumas dessas larvas
conseguem invadir cupinzeiros e permanecer neles durante
grande parte da vida. Lembre-se também dos tamanduás
e tatus, que são vertebrados e que se alimentam de
cupins. Aranhas e escorpiões, outros insetos e vertebrados
como aves, anfíbios e lagartos são chamados
de predadores oportunistas. Eles esperam o enxameamento
de cupins e aí retiram o seu alimento, sem necessariamente
ter de invadir e destruir um cupinzeiro.