A Reprodução
dos Escorpiões
Os escorpiões
são animais extremamente antigos, com origem estimada
há cerca de 400 milhões de anos atrás.
Uma das características que possibilitou esse sucesso
é a reprodução eficiente que pode envolver
desde cuidado parental até partenogênese.
Reprodução:
A maioria dos escorpiões
se reproduz sexuadamente, ou seja, machos e fêmeas
acasalam para gerar descendentes. É possível
distinguir os sexos porque ocorre dimorfismo sexual nesses
animais: machos e fêmeas possuem diferentes tamanhos,
diferentes formas de palpos ou outros órgãos,
apresentam determinadas estruturas com exclusividade ou
apresentam outras características diferenciais. Machos
de escorpião-marrom (Tityus bahienses),
por exemplo, possuem palpos mais volumosos que os das fêmeas.
O acasalamento é
intrigante, envolvendo uma dança nupcial, e só
foi descrito recentemente na década de 1950 a partir
de observações curiosas de pesquisadores.
Tudo começa na busca do macho por uma fêmea
receptiva. Ao encontrá-la, iniciam-se os primeiros
contatos. Se a fêmea resistir, o macho pode até
insistir, mas normalmente acaba por desistir e buscar outra
parceira. Quando há sucesso, o macho segura a fêmea
pelas pernas, pelo pós-abdome, até encontrar
os palpos. Inicia-se, então, uma dança nupcial,
também chamada de “promenade a deux”
(passeio a dois) pelo naturalista Fabre: com os pedipalpos
unidos, o casal se desloca para frente e para trás,
de um lado para o outro, sob a liderança do macho,
que periodicamente pode sofrer fortes tremores. Nessa dança,
o macho busca um local adequado para a deposição
do espermatóforo, estrutura que contém os
espermatozóides e os transfere para a fêmea,
já que escorpiões não
possuem um órgão transmissor de esperma. Esse
substrato varia com as espécies e pode ser limpo
com os pentes do macho. Toda essa dança possui duração
variável, de acordo com a dificuldade de encontrar
o local adequado. No escorpião-marrom, Tityus
bahienses, ela dura de 15 a 20 minutos, mas pode chegar
a mais de 10h em outras espécies.
A etapa seguinte é
a inseminação da fêmea. O macho eleva
seu pós-abdome e libera simultaneamente um par de
hemiespermatóforos, pequenas estruturas rijas, alongadas,
alojadas dentro de bainhas e localizadas internamente, uma
de cada lado do corpo, em posição posterior
ao opérculo genital. Esses se fundem, formando uma
peça única com esperma em seu interior, o
espermatóforo. A fêmea é, então,
puxada em direção ao espermatóforo
fixado de forma inclinada no chão, até que
seu opérculo genital o toca. Após isso, ela
se liberta, podendo aceitar outros machos para acasalamento.
O período de
acasalamento do escorpião-marrom
(Tityus bahienses) é de outubro a dezembro,
com intensa atividade sexual.
Todo esse processo
descrito acima não ocorre no escorpião-amarelo
(Tityus serrulatus). Nessa espécie não
existem machos e a reprodução ocorre assexuadamente,
por partenogênese, onde óvulos não fecundados
dão origem a novas fêmeas. Esse fato pode ser
uma justificativa para a abundância desses animais
em certas regiões do Brasil.
Nascimento, crescimento e desenvolvimento:
Escorpiões são
animais vivíparos, ou seja, eles não botam
ovos, diferente dos outros aracnídeos. Uma fêmea
prestes a dar à luz posiciona-se com sua parte anterior,
do cefalotórax e pré abdome, levantada, formando
o cesto natal para amparar os recém nascidos, que
são levados pelo primeiro ou segundo par de pernas
ao dorso da mãe. Os filhotinhos, brancos e moles,
aderem ao corpo da parturiente por ventosas temporárias
nas extremidades das pernas e permanecem aí até
a realização da primeira muda, se alimentando
de reservas.
Comumente ocorre mais
de um parto por cópula e o tempo de gestação
varia com a espécie. Há registros desde 42
dias a até 18 meses! O número de filhotes
depende da espécie e das fêmeas, podendo ser
gerados desde um a até mais de cem.
Nos escorpiões-marrons
(Tityus bahienses), a gestação é
de cerca de 130 dias e nasce uma média de 36 filhotes,
que permanecem no dorso da fêmea por até 7
dias. Nos escorpiões-amarelos (Tityus serrulatus)
o período de gestação é menos
(90 dias) sendo que, em média, nascem até
9 filhotes, os quais permenecem em contato direto com a
mãe por 7 dias.
Os escorpiões
são artrópodos, grupo que abrange animais
de exoesqueleto, ou seja, que possuem uma casca dura externa
ao corpo que não cresce. Por isso, eles precisam
realizar mudas para crescer, processo chamado de ecdise
e realizado até que se atinja a maturidade sexual.
O número de ecdises varia entre as espécies
e as diferentes condições, mas está
dentro de uma média de 5 a 6.
Em escorpiões-marrons
(Tityus bahienses), foram registradas 4 a 5 mudas
e uma vida máxima de 1417 dias. Para escorpiões-amarelos
(Tityus serrulatus), ocorrem 5 mudas em 1 ano,
quando é atingida a maturidade, e o tempo de vida
máximo já registrado foi de 1590 dias. Essa
vida é curta se comparada com a do escorpião
gigante do Arizona, o Hadrurus arizonensis,
que pode viver por até 25 anos!