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O Veneno do Escorpião e suas Consequências

Sem dúvida, o grande mal dos escorpiões é o veneno, que pode ser tóxico em maior ou menor grau aos homens dependendo da espécie. Apesar da sua grande importância na evolução e sobrevivência desses animais, é essa característica a grande causadora do terror e calafrios da população em direção a eles, rendendo-lhes o título de praga urbana. È importante lembrar, porém, que as espécies que realmente causam acidentes graves, estas sim consideradas perigosas, não passam de 25 dentro de um grupo de mais de 1500. Além disso, dessas 25, apenas cinco são encontradas no Brasil. O medo extremo existe, portanto, devido à falta de conhecimento do povo. O escorpião-preto (Bothriurus araguayae), por exemplo, que é abundante em algumas cidades do estado de São Paulo, vem causando pânico em muitas pessoas apesar de não causar mais do que dor com sua picada.

Os escorpiões possuem duas glândulas de veneno, uma de cada lado do telson, que é o último segmento do pós-abdome (a chamada “cauda”). Nelas são produzidas misturas complexas de muco e várias proteínas, inclusive as neurotóxicas, que interagem com os componentes principalmente das células nervosas de outros animais e são responsáveis pela toxicidade dos venenos escorpiônicos. Essa solução permanece nas glândulas até que estas sejam comprimidas por músculos, quando é expelida por um canal que desemboca próximo ao ferrão. O estímulo para que isso ocorra deriva da necessidade de paralisia de uma presa ou constatação de situação de perigo. Nesta última, há liberação de toda a peçonha armazenada nas glândulas.

As neurotoxinas produzidas pelos escorpiões atuam principalmente estimulando terminações nervosas periféricas (nervos próximos à pele), o que causa sensação de dor. Na maior parte dos casos, os sintomas se restringem nesse ponto. Em casos de maior gravidade ocorre liberação pelo próprio organismo da vítima de substâncias chamadas mediadores químicos, como a adrenalina, a noradrenalina e a acetilcolina, que trazem outras conseqüências graves:

a adrenalina e a noradrenalina causam aumento da pressão sangüínea, distúrbios do ritmo cardíaco (arritmia cardíaca), redução do diâmetro de vasos sangüíneos (vasoconstrição periférica) e, eventualmente, insuficiência cardíaca, acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar) e, finalmente, choque, com a desordem total do sistema circulatório e sua incapacidade de irrigar todos os tecidos do corpo;

a acetilcolina causa aumento das secreções lacrimal, nasal, salivar, brônquica, sudorípara e gástrica, tremores, contrações musculares involuntárias (espasmos musculares), diminuição do diâmetro das pupilas (miose) e diminuição do ritmo cardíaco.

Segundo o Ministério da Saúde, podem-se classificar os casos de escorpionismo (envenenamentos por picadas de escorpiões) em três níveis segundo sua gravidade: leve, moderado ou grave, conforme descrito na tabela abaixo.

 
Relação entre gravidade, sintomatologia e uso de soro para casos de acidentes escorpiônicos
Gravidade
Sintomas
Necessidade
de soro
   Leve
 
Dor e parestesia locais (como sensação de frio, calor, formigamento, etc.)
 
Não
   Moderada
 
Dor local intensa associada a uma ou mais manifestações, como náuseas, vômitos, sudorese, salivação, agitação, aumento dos ritmos respiratório e cardíaco (taquipnéia e taquicardia, respectivamente).
 
Sim
   Grave
 
Além das citadas na forma moderada, presença de uma ou mais das seguintes manifestações: vômitos profusos e incoercíveis (que não podem ser controlados), sudorese e salivação intensas, prostração, convulsão, coma, redução da freqüência cardíaca (bradicardia), insuficiência cardíaca, acúmulo de líquido no pulmão (edema pulmonar agudo) e choque.
 
Sim
 

Casos graves são mais comuns de ocorrerem em crianças devido à maior probabilidade de contato com escorpiões (já que crianças gostam de por as mãos em tudo), menor peso corporal e características internas como maior irrigação sangüínea. Por isso é necessário atenção especial a crianças com menos de 7 anos de idade.

O que fazer se eu levar uma picada de escorpião?

As decisões iniciais que seguem um acidente podem determinar suas conseqüências. Tendo isso em vista, seguem algumas medidas a serem tomadas em casos de ferroadas:

1. Lavar o local com água e sabão e aplicar compressas de água fria. A vítima deve ser mantida deitada e evitar grandes movimentos para não favorecer a absorção do veneno. Se a picada estiver no braço ou na perna, mantê-los mais elevados. Não fazer torniquete ou sucção no local da ferida, não espremer, cortar, furar ou aplicar folhas ou outros produtos.

2. Coletar o escorpião. Se ele ainda estiver vivo, isso pode ser feito invertendo-se um frasco de boca grande sobre o bicho e passando-se uma folha de papel embaixo do recipiente e do animal, que deve ser substituída pela tampa furada após virar o frasco. Não é necessário colocar alimento. Também é possível capturá-lo segurando o pós-abdome com uma pinça, de modo a impedir o uso do ferrão. Nunca utilize sacos plásticos para aprisionar indivíduos. Também é importante saber para realizar a captura que escorpiões não saltam.

Se o animal estiver morto, coloque-o em um frasco de vidro com álcool.

Se possível, identifique o escorpião. Constatado alto grau de periculosidade, leve a vítima imediatamente a um hospital.

3. Para amenizar a dor da ferroada, podem ser utilizados analgésicos ou bloqueios anestésicos locais.

4. Observe a vítima. Se ela apresentar os sintomas: náuseas ou vômito, suor excessivo, abaixamento da temperatura, agitação, tremores, salivação, aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial (pressão sangüínea), leve-a imediatamente ao serviço de saúde mais próximo com o escorpião capturado. O soro anti-escorpiônico deve ser aplicado em último caso, pois pode gerar distúrbios. Em pacientes com hipersensibilidade (alérgicos) pode até mesmo levar a óbito. Esse, no entanto, é o único tratamento eficaz para a maioria dos casos graves.

5. Notifique o serviço de zoonoses de sua cidade ou o órgão municipal responsável sobre o ocorrido, mesmo que o acidente tenha sido leve. Essa etapa é esquecida por muitos, mas é de suma importância para alertar a população local sobre riscos, guiar medidas e focalizar áreas para ações de controle e até mesmo garantir estatísticas reais.

Em São Paulo, o órgão a ser avisado é Centro de Controle de Zoonoses ou CCZ (portal: http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/saude/vigilancia_saude/ccz), que faz parte da COVISA (Coordenação de Vigilância em Saúde). O contato pode ser feito no endereço:

Rua Santa Isabel, 181, Vila Buarque
CEP: 01221-010 São Paulo (SP),

ou pelos telefones (11) 3350-6624 e (11) 3350-6628, de segunda a sexta-feira, das 9h da manhã à 4h da tarde.

No Brasil, a freqüência de acidentes envolvendo picadas de escorpiões vem aumentando e o escorpionismo (envenenamento por escorpiões) vem se tornando um problema preocupante e até de saúde pública em algumas regiões, principalmente de Minas Gerais e São Paulo. Os casos de escorpionismo já superam os de ofidismo (envenenamento por peçonha de cobra) e de acidentes com aranhas. Em 2006, as notificações alcançaram 16 casos/100.000 habitantes e em 2007 foram 38 mil acidentes em todo o país. Nesse mesmo ano, os casos aumentaram em 30% no estado de São Paulo, mas ainda é o nordeste brasileiro o que possui maior número de vítimas. Felizmente, a maioria dos ocorridos é registrada como de gravidade leve e as de moderada e grave são minoria, com menos de 0,1% de óbitos.

As principais espécies responsáveis por casos graves são os escorpiões amarelo (Tityus serrulatus) e marrom (Tityus bahienses), nessa ordem de periculosidade. Ambos podem levar indivíduos à morte se não tratados devido à alta toxicidade de seus venenos e também, na primeira espécie, à alta quantidade de peçonha injetada que pode causar óbitos inclusive de adultos. No caso da segunda, dificilmente um adulto picado precisará de tratamento com soro.

A situação brasileira, apesar de séria, não se compara com outras regiões do mundo. O México talvez seja o país com maior índice de acidentes com escorpiões. Lá são registradas 11 espécies perigosas ao ser humano, como o escorpião-mexicano ou escorpião-de-Morelos (Centruroides limpidus) em Morelos, C. sufussus, um dos mais perigosos do mundo, em Durango e C. limpidus tecomanus em Colima. No começo dos anos noventa, a estimativa nacional era de 200.000 picadas. Em alguns estados do centro e oeste do México, a incidência anual de acidentes chega a 1300 por 100.000 habitantes e até 2050 por 100.000 habitantes em algumas comunidades de Morelos, no sudoeste da Cidade do México.

É interessante saber que em 57% dos incidentes, as partes do corpo atingidas por picadas são as mãos e em quase 18% os pés. Isso nos direciona a entender as causas dos acidentes, que ocorrem principalmente no contato com locais de esconderijo de escorpiões, como entulhos, frestas, telhas e tijolos, costas de quadros e armários, sapatos, etc. Ameaçados, os animais picam para se defender.

Algumas vezes, o ferrão em uma picada pode atingir partes do corpo com pele mais resistente, como áreas calejadas e solas dos pés. Nesses casos, a injeção de veneno é muito superficial, o que minimiza seus efeitos. Ocorrem também ferroadas assintomáticas quando as glândulas de veneno estão descarregadas (vazias) devido ao uso prévio, por exemplo, em uma presa.