Casos graves são
mais comuns de ocorrerem em crianças devido à
maior probabilidade de contato com escorpiões (já
que crianças gostam de por as mãos em tudo),
menor peso corporal e características internas como
maior irrigação sangüínea. Por
isso é necessário atenção especial
a crianças com menos de 7 anos de idade.
O que fazer se
eu levar uma picada de escorpião?
As decisões
iniciais que seguem um acidente podem determinar suas conseqüências.
Tendo isso em vista, seguem algumas medidas a serem tomadas
em casos de ferroadas:
1.
Lavar o local com água e sabão e aplicar compressas
de água fria. A vítima deve ser mantida deitada
e evitar grandes movimentos para não favorecer a absorção
do veneno. Se a picada estiver no braço ou na perna,
mantê-los mais elevados. Não fazer torniquete
ou sucção no local da ferida, não espremer,
cortar, furar ou aplicar folhas ou outros produtos.
2.
Coletar o escorpião. Se ele ainda estiver vivo, isso
pode ser feito invertendo-se um frasco de boca grande sobre
o bicho e passando-se uma folha de papel embaixo do recipiente
e do animal, que deve ser substituída pela tampa furada
após virar o frasco. Não é necessário
colocar alimento. Também é possível capturá-lo
segurando o pós-abdome com uma pinça, de modo
a impedir o uso do ferrão. Nunca utilize sacos plásticos
para aprisionar indivíduos. Também é
importante saber para realizar a captura que escorpiões
não saltam.
Se o animal estiver morto,
coloque-o em um frasco de vidro com álcool.
Se possível, identifique
o escorpião. Constatado alto grau de periculosidade,
leve a vítima imediatamente a um hospital.
3.
Para amenizar a dor da ferroada, podem ser utilizados analgésicos
ou bloqueios anestésicos locais.
4.
Observe a vítima. Se ela apresentar os sintomas:
náuseas ou vômito, suor excessivo, abaixamento
da temperatura, agitação, tremores, salivação,
aumento da freqüência cardíaca e da pressão
arterial (pressão sangüínea), leve-a imediatamente
ao serviço de saúde mais próximo com
o escorpião capturado. O soro anti-escorpiônico
deve ser aplicado em último caso, pois pode gerar distúrbios.
Em pacientes com hipersensibilidade (alérgicos) pode
até mesmo levar a óbito. Esse, no entanto, é
o único tratamento eficaz para a maioria dos casos
graves.
5.
Notifique o serviço de zoonoses de sua cidade
ou o órgão municipal responsável sobre
o ocorrido, mesmo que o acidente tenha sido leve. Essa etapa
é esquecida por muitos, mas é de suma importância
para alertar a população local sobre riscos,
guiar medidas e focalizar áreas para ações
de controle e até mesmo garantir estatísticas
reais.
Em São Paulo,
o órgão a ser avisado é Centro de Controle
de Zoonoses ou CCZ (portal: http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/saude/vigilancia_saude/ccz),
que faz parte da COVISA (Coordenação de Vigilância
em Saúde). O contato pode ser feito no endereço:
Rua Santa Isabel, 181,
Vila Buarque
CEP: 01221-010 São Paulo (SP),
ou pelos telefones (11)
3350-6624 e (11) 3350-6628, de segunda a sexta-feira, das
9h da manhã à 4h da tarde.
No Brasil, a freqüência
de acidentes envolvendo picadas de escorpiões
vem aumentando e o escorpionismo (envenenamento por escorpiões)
vem se tornando um problema preocupante e até de saúde
pública em algumas regiões, principalmente de
Minas Gerais e São Paulo. Os casos de escorpionismo
já superam os de ofidismo (envenenamento por peçonha
de cobra) e de acidentes com aranhas. Em 2006, as notificações
alcançaram 16 casos/100.000 habitantes e em 2007 foram
38 mil acidentes em todo o país. Nesse mesmo ano, os
casos aumentaram em 30% no estado de São Paulo, mas
ainda é o nordeste brasileiro o que possui maior número
de vítimas. Felizmente, a maioria dos ocorridos é
registrada como de gravidade leve e as de moderada e grave
são minoria, com menos de 0,1% de óbitos.
As principais espécies
responsáveis por casos graves são os escorpiões
amarelo (Tityus serrulatus) e marrom (Tityus
bahienses), nessa ordem de periculosidade. Ambos podem
levar indivíduos à morte se não tratados
devido à alta toxicidade de seus venenos e também,
na primeira espécie, à alta quantidade de peçonha
injetada que pode causar óbitos inclusive de adultos.
No caso da segunda, dificilmente um adulto picado precisará
de tratamento com soro.
A situação
brasileira, apesar de séria, não se compara
com outras regiões do mundo. O México talvez
seja o país com maior índice de acidentes com
escorpiões. Lá são registradas
11 espécies perigosas ao ser humano, como o escorpião-mexicano
ou escorpião-de-Morelos (Centruroides limpidus)
em Morelos, C. sufussus, um dos mais perigosos do
mundo, em Durango e C. limpidus tecomanus em Colima.
No começo dos anos noventa, a estimativa nacional era
de 200.000 picadas. Em alguns estados do centro e oeste do
México, a incidência anual de acidentes chega
a 1300 por 100.000 habitantes e até 2050 por 100.000
habitantes em algumas comunidades de Morelos, no sudoeste
da Cidade do México.
É interessante
saber que em 57% dos incidentes, as partes do corpo atingidas
por picadas são as mãos e em quase 18% os pés.
Isso nos direciona a entender as causas dos acidentes, que
ocorrem principalmente no contato com locais de esconderijo
de escorpiões, como entulhos, frestas,
telhas e tijolos, costas de quadros e armários, sapatos,
etc. Ameaçados, os animais picam para se defender.
Algumas vezes, o ferrão
em uma picada pode atingir partes do corpo com pele mais resistente,
como áreas calejadas e solas dos pés. Nesses
casos, a injeção de veneno é muito superficial,
o que minimiza seus efeitos. Ocorrem também ferroadas
assintomáticas quando as glândulas de veneno
estão descarregadas (vazias) devido ao uso prévio,
por exemplo, em uma presa. |