Curiosidades
Formigas de importância forense
Assim que ocorre um
assassinato ou acidente com mortes, os peritos criminais
são chamados ao local. O trabalho desses profissionais
ajuda a dar o desfecho de muitos mistérios policiais.
Mas os peritos criminais só possuem evidências
de um passado remoto. Eles não conseguem, na maioria
das vezes, assistir a um filminho do que ocorrera minutos
antes do acontecimento; nem podem pedir fieis descrições
a respeito da cena fatídica às vítimas.
Só contam com as evidências, com as pistas.
Que pistas são essas? Como uma pista pode guiar o
olhar de um perito, fazendo com que ele enxergue em um cadáver
a resolução de um caso policial?
As pistas contidas
em um cadáver são inúmeras e de diversos
tipos. Dentre essas, vale destacar aquelas pertencentes
à entomologia forense. Esta área da ciência
estuda como a sucessão de insetos em um cadáver
pode traduzir acontecimentos relativos ao próprio
crime, como por exemplo, o intervalo post mortem (quando
a morte ocorreu?) e modo e local da morte. Um dos insetos
estudados nesses casos são as formigas.
As formigas
presentes em cadáveres podem se alimentar dos restos
mortais ou mesmo das larvas de outros insetos que se alimentam
diretamente do cadáver. Em estudo recente, pesquisadores
do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de
Campinas (UNICAMP) descobriram que a formiga Cephalotes
clypeatus é um exemplo de formigas que poderiam ajudar
a solucionar os casos de crimes envolvendo cadáveres.
No estudo, os cientistas encontraram que essa espécie
de formiga está presente em carcaças
animais desde os primeiros momentos de decomposição
e poderia interferir no restante do processo. Outros pesquisadores
puderam determinar com sucesso o intervalo post mortem a
partir de colônias da formiga Anoplolepsis longipes.
Assim, essas e outras pesquisas mostram que o estudo das
formigas, a partir de um ponto de vista forense, é
de fundamental importância para desvendar os crimes
mais tenebrosos.
Comer formiga faz bem para visão?
Fatalmente o leitor
já deve ter se deparado com essa frase. A explicação
é ironicamente mais cômica do que a hipótese:
“alguém já viu um tamanduá de
óculos?”. Com certeza deve ser bem surpreendente
(assustador, não?) se deparar com um tamanduá
usando óculos, ou mesmo num oftalmologista reclamando
da vista cansada. Mas tudo o que se diz a respeito de comer
formigas e ter boa visão é mito. Não
existe comprovação científica que aponte
a vantagem de se comer formigas.
Provavelmente, a lenda
surgiu na tentativa de fazer com que as pessoas não
rejeitassem alimentos nos quais formigas
tivessem caminhado. Doces ou gorduras visitados por formigas
eram facilmente rejeitados pela população
e nada como um mito para endireitar a consciência
popular. De fato, muitos povos consideram formigas como
verdadeiras iguarias. Venezuelanos, colombianos, mexicanos,
africanos e australianos vêem nas formigas um alimento
para lá de apetitoso. Não se precisa ir tão
longe: nossos ancestrais indígenas brasileiros como
os tupis tinham hábito de comer formigas, principalmente
tanajuras.
Outra força
mítica que impulsiona a crença de que comer
formigas faz bem é o fato de os
insetos serem o grupo animal mais abundante na Terra. Isso
traz a vantagem de nunca faltar alimento, uma vez que uma
formiguinha fresquinha sempre é fácil de encontrar.
Aqueles que comem formigas costumam comer a região
onde ficam os ovos na rainha. Ainda sim o valor nutritivo
é muito baixo para afirmar qualquer coisa.