| |
Percevejos Mais
Conhecidos
Uma maneira prática
de se identificar as várias categorias de hemípteros
pode ser obtida através das seguintes características:
Hemipteros
fitófagos:
Apresentam aparelho
bucal formando por quatro segmentos em um ângulo de
90º com o eixo longitudinal do corpo, o qual sempre
ultrapassa o primeiro par de patas, atingindo o abdome.
Não possuem o sulco estridulatório e apresentam
grande importância na entomologia agrícola.
Muitos dos percevejos fitófagos são classificados
como pragas, já que se alimentam de culturas agrícolas
importantes e são capazes de causar grandes danos
econômicos. Entre eles, podemos destacar o percevejo-castanho
(Scaptocoris castanea), que ataca as culturas da
alfafa, algodão, amendoim, banana, berinjela, citros,
girassol, pêssego e gramíneas; o percevejo-do-milho
(Leptoglossus zonatus); o percevejo-do-tomate (Phthia
picta) e o conhecido percevejo-verde (Nezara viridula),
que ataca as culturas de alfafa, algodão, feijão,
melancia, melão, pepino, abóbora, milho, soja
e tomateiro, só para citar alguns exemplos.
|
| |
|
| |
Hemípteros
predadores e hematófagos:
Apresentam aparelho bucal
não ultrapassando o primeiro par de patas e, quando
não está sendo utilizado, permanece repousando
a extremidade distal no sulco estridulatório. Se esse
aparelho bucal é curvo, trata-se de um predador (maioria
das subfamílias de Reduviidae), e se é reto,
de um triatomíneo hematófago, ou seja, triatomíneos
transmissores do Trypanosoma cruzi. |
| |
|
Esquema
comparativo de aparelho bucal em hemípteros
fitófagos (A), predador (B) e hematófago
(C). |
|
| |
Subfamília Triatominae
Como sabemos, triatomíneos
são os hemípteros hematófagos que transmitem
o T. cruzi. Pertencem à família Reduviidae
e apresentam as seguintes características:
- cabeça alongada
e mais ou menos em forma de fuso;
- pescoço nítido unindo a cabeça ao tórax;
- aparelho bucal reto e composto de três segmentos,
com a extremidade distal repousando no sulco estridulatório,
com exceção de alguns gêneros.
A subfamília Triatominae
é constituída por cinco tribos, nas quais estão
distribuídos 14 gêneros e 118 espécies.
Quase todos os triatomíneos são exclusivos do
continente americano, distribuindo-se desde os EUA até
a Argentina. Dentre os gêneros de maior importância
epidemiológica, três se destacam e são
facilmente identificáveis:
Panstrongylus:
cabeça robusta, curta com relação ao
tórax e subtriangular; antenas implantadas próximas
aos olhos;
Triatoma:
cabeça alongada e antenas implantadas num ponto médio
entre os olhos e o clípeo (extremidade anterior da
cabeça)
Rhodnius:
cabeça alongada e delgada; antenas implantadas bem
próximo ao clípeo
Principais
espécies de Triatominae
Triatoma infestans
Esta espécie apresenta
tamanho médio, variando o comprimento de 21-26 mm no
macho de 26-29 mm na fêmea. Possui cor geral negra ou
marrom-escuro com marcações amarelo-pálido
no cório, conexivo e patas. É uma espécie
predominantemente domiciliar, colonizando-se em grande quantidade
nas frestas das paredes de barro e pau-a-pique. É menos
freqüente no peridomicílio (galinheiros). Esta
espécie é original da Bolívia, único
país onde pode ser encontrado no ambiente silvestre
em associação com roedores. Nas áreas
onde não é combatido pode apresentar infestações
em altíssimas densidades, o que conferiu-lhe o título
de espécie mais importante no Brasil. |
| |
|
| |
|
Panstrongylus
megistus
É uma espécie
grande: os machos medem de 26- 34 mm e as fêmeas de
29-38 mm. Apresenta cor geral negra com manhas vermelhas ou
avermelhadas no pescoço, pronoto, escutelo, cório
e conexivo. A cabeça e as patas são negras,
e o abdome é negro com manchas vermelhas do conexivo
atingindo a margem posterior dos segmentos. É uma espécie
de grande importância na transmissão da doença
de Chagas ao homem no Brasil, sem, no entanto, produzir colônias
tão grandes como as de T. infestans. Também
tem grande importância histórica, uma vez que
foi dissecando um exemplar desta espécie que Carlos
Chagas verificou pela primeira vez a presença de T.
cruzi em barbeiros, fechando assim o ciclo da doença
de Chagas.
Rhodnius neglectus
Esta espécie é
de porte médio, medindo os machos de 17-19 mm, e as
fêmeas de 18-21 mm. Apresentam cor geral marrom-claro,
com manchas marrom na cabeça, pronoto, escutelo, cório
e conexivo; áreas amareladas no conexivo, coxas, e
ventralmente no abdome. A cabeça é muito alongada,
maior que o comprimento do pronoto, e com uma elevação
na linha mediana de sua superficie dorsal É uma espécie
silvestre que habita diversos ninhos de animais em palmeiras
(macaúba, buriti e babaçu, entre outras). Ultimamente,
tem sido encontrada colonizando galinheiros e pombais e, às
vezes, invadindo domicílios, indicando uma tendência
à adaptação às habitações
humanas.
Família
Cimicidae
A família Cimicidae
compreende seis subfamílias, das quais apenas a Cimicinae
possui espécies de interesse médico. O gênero
mais importante é o Cimex, com várias
espécies, sendo que duas são ectoparasitos humanos:
C. lectularius e C. hemipterus.
Cimex lectularius - são percevejos
pequenos (cerca de 5 mm de comprimento); apresentam cor cinza-amarronzada.
É encontrado em todo o mundo, tanto nas zonas temperadas
como tropicais. Pode ser capturado em casas (camas ou abrigos
de morcegos) e galinheiros.
Cimex hemipterus
- são
percevejos um pouco maiores que a espécie anterior
(cerca de 6,5 mm de comprimento) . Possuem a mesma cor. O
diagnóstico diferencial entre essas duas espécies
é feito pela morfologia do protórax e das cerdas
nele presentes:
C.
hemipterus: protórax
duas vezes mais largo do que alto e cerdas lisas;
C.
lectularius: protórax
quatro vezes mais largo do que alto e cerdas com rebarbas
em um dos lados.
Essa última
espécie é mais encontrada nas regiões
tropicais do globo. Também pode ser capturada em casas
(camas ou abrigos de morcegos) e galinheiros. Parece mesmo
que os morcegos sejam hospedeiros importantes do gênero
Cimex, uma vez que neles são encontradas numerosas
espécies desse inseto. Morcegos frugívoros e
insetívoros urbanos estão sendo incriminados
como disseminadores ou fontes de infestação
de surtos recentes de C. lectularius e C. hemipterus.
Nesse caso, quando se for fazer o controle dos percevejos
domésticos, é importante localizar-se algum
possível esconderijo de morcegos, fazendo-se o combate
destes em conjunto. |
| |
|
|
|