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O pombo doméstico chegou de navio!
No Brasil, o pombo é
considerado uma espécie exótica, ou seja, é
um animal que veio de algum outro lugar para cá, onde
se adaptou e estabeleceu.
Os primeiros pombos chegaram
às Américas no período de colonização,
vindos nos navios dos primeiros europeus que chegavam aqui.
Isso mesmo! Acredita-se que os pombos tenham chegado em diversos
pontos e datas diferentes, mas o primeiro registro dessa ave
no nosso continente é do ano de 1606! A porta de entrada
teria sido a a província de Nova Escócia, no
Canadá.
Na época da colonização,
os pombos já eram uma espécie bastante habituada
a viver junto do homem nos centro urbanos na Europa. Alguns
pombos foram trazidos para serem usados como meio de comunicação,
outros acabavam indo junto das expedições para
o Novo Mundo, pois os navios serviam como abrigo para pequenos
bandos destas aves, que se tornaram acompanhantes das tripulações
durante os meses de travessia do oceano.
Chegando em terra firme,
esses bandos de pombos não tiveram dificuldade em se
estabelecer nas novas terras, pois, novamente, com o homem
por perto, alterando o ambiente e oferecendo condições
para sua alimentação e nidificação,
eles tinham totais condições para sobreviverem.
A história dos pombos
antes de chegarem à terras brasileiras
Para contar um pouco
mais da história dos pombos vamos voltar à época
que antecedia a chegada dos europeus ao continente americanos.
Neste período o pombo doméstico era mais conhecido
como pombo da rocha, pois era frequentemente encontrado junto
a penhascos e rochas na região litorânea de toda
a Europa, principalmente Inglaterra e Portugal.
O pombo da rocha na verdade
é o mesmo animal que o pombo doméstico ou pombo
comum. São apenas nomes diferentes que as pessoas usam
para se referir a mesma espécie (Columba livia) em
diferentes épocas e locais.
Embora o pombo da rocha fosse uma ave bem estabelecida em
seu ambiente natural, este animal já demonstrava uma
enorme capacidade de se adaptar ao ambiente ao redor do homem.
Nas cidades seus predadores estavam ausentes e o alimento
era abundante, muitas vezes fornecido pela própria
população humana.
Assim, o pombo foi aos
poucos se aproximando e instalando nos ambientes urbanos,
com crescimento populacional expressivo. O homem se acostumava
à companhia dessa ave e até mesmo veio a usa-las
em tarefas domésticas.
Mas desde quando o homem
começou a prestar atenção nos pombos?
Você deve ter notado
que a história dos pombos com o homem é muito
antiga. Mais antiga do que está pensando na verdade.
Alguns cientistas argumentam que o pombo foi uma das primeiras
aves a serem domesticadas. Há registros em pinturas
desta ave na Mesopotâmia que datam de 4.500 a.C.
A característica
que sempre chamou a atenção dos pombos e fez
com o homem criasse o hábito de conviver com esse animal
e até mesmo o admirasse, é a incrível
habilidade que pombos têm de voltar para casa! Este
comportamento de encontrar o caminho de regresso é
chamado “homing”, e é particularmente estudado
nestas aves, que conseguem percorrer centenas de quilômetros
e ainda assim voltar ao lugar de onde partiram.
Essa habilidade tão
logo foi percebida, despertou o interesse humano. O objetivo
era de transportar mensagens de natureza militar, administrativa
ou comercial. Foi um pombo, por exemplo, que transportou a
notícia do desfecho da batalha de Waterloo, um combate
decisivo que determinou o fim do império napoleónico,
após vinte e três anos de guerra entre a França
e outros países europeus.
O pombo-correio é
o produto final de um processo de seleção artificial
feito desde que surgiu o interesse de domesticar animais com
máxima capacidade de voltar pra casa o mais rápido
possível. Essa brincadeira virou até esporte.
É a columbofilia, que surgiu na Bélgica, nos
meados do século XIX.
Pombos celebridades
Como em todo esporte,
alguns atletas se destacam, e viram verdadeiras celebridades
entre os columbófilos, os criadores de pombos-correio.
Alguns chegam a velocidades de até 87 a 102 km/h, em
distâncias que podem chegar a pouco mais de 1.200 quilômetros.
O pombo-correio, embora
da mesma espécie que o pombo comum, não é
um qualquer. Como toda celebridade, tem que ser um indivíduo
especial e treinado. Duas características principais
foram selecionadas para este pombo: a capacidade de orientação
e um porte atlético. Desta forma, o pombo-correio destaca-se
por características como: vivacidade; velocidade de
vôo; penas abundantes, brilhantes e de elevado coeficiente
aerodinâmico; rabo sempre fechado quando em vôo;
pescoço, fortemente implantado e esguio; grande resistência
à fadiga.
Diferente dos pombos
de rua, a reprodução dos pombos-correio é
controlada por seus criadores e sempre registrados por seus
clubes!
No Brasil, em 2007 estimava-se
uma população de pouco mais de 110 mil pombos-correio
nascidos em território nacional.
Qual a diferença
do pombo-correio para o pombo urbano?
Como já foi dito,
ambos pertencem à mesma espécie, mas vivem em
condições completamente diferentes. Estas acabam
por propiciar a característica morfológicas
e comportamentais também bastante diferentes. Resumindo
pode-se dizer que os pombos-correio nada mais são que
pombos urbanos muito bem cuidados e treinados.
Em termos de característica
físicas há grande diferenças entre eles.
Os pombos-correio possuem uma plumagem perfeita e limpa e
uma estrutura muscular imponente, obtida através de
treinos e uma dieta balanceada, oferecida e cuidada pelos
criadores. Já os pombos de rua não são
tão bem tratados e ficam sujeitos às condições
do ambinete em que vivem, as quais nem sempre são muito
favoráveis, Desta forma podem apresentar plumagem deteriorada
e apresentar um porte físico é bastante variado,
já que este é condicionado basicamente pelo
acesso à alimentação. Os que residem
em áreas de baixa oferta de alimento são visivelmente
fraquinhos. Já os que tem acesso a alimentos em fartura
podem comer tanto que se tornam quase obesos!
Os pombos-correio são
registrados e rastreados por uma unidade federativa. Já
os pombos de rua, possuem uma reprodução descontrolada.
Justamente devido à
ampla oferta de alimentos e abrigos em alguns lugares, os
bandos de pombos podem se tornar um problema para saúde
e preservação do patrimônio.
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