Um Pouco Mais
Sobre a Vida dos Ratos
Os ratos, em geral,
têm hábitos noturnos. Eles só saem à
luz do dia quando sua população aumenta tanto
que a comida disponível acaba ficando insuficiente
para alimentar a colônia toda.
Alimentação
A ratazana e o rato-de-telhado
são muito desconfiados em relação a
um alimento que vão ingerir: um novo alimento ou
isca que é encontrado, ao longo da trilha que percorrem
ou perto dela, é observado muito cuidadosamente.
Assim, o rato desconfia e não devora
o alimento, e sim espera que um rato que esteja mais esfomeado,
ou que seja menos experiente, vá até o novo
alimento ou isca e o devore. Caso não aconteça
nada de anormal para o rato que comeu o alimento, o observador
resolve também devorar o citado alimento ou isca.
Caso surjam sinais de doença no rato mais esfomeado
ou inexperiente, o observador evita o alimento. Além
disso, ele parece que "comunica" esse fato a toda
a colônia, pois todos os outros ratos passam a evitar
o tal alimento!
O rato-de-telhado e
a ratazana evitam todo e qualquer objeto e alimento estranhos.
Estes alimentos ou objetos são tocados somente após
alguns dias de permanência no local. Já o camundongo,
pelo contrário, é muito curioso em relação
a tudo o que é novo.
Vencida a desconfiança,
o alimento passa a ser devorado. Quando este alimento não
pode ser comido rapidamente ou está em lugar muito
exposto, é retirado aos poucos e levado para um lugar
apropriado, onde o rato possa devorá-lo
em segurança. As fêmeas levam pequenas porções
de alimento para os filhotes que estão no ninho.
Água
As necessidades de
água variam conforme a espécie e com o tipo
de alimentação. Os camundongos, como regra
geral, precisam de pouca água. As ratazanas e os
ratos-de-telhado precisam de mais água, principalmente
se estão sempre devorando material seco, como cereais,
por exemplo.
Comportamento social
Num grupo de ratos,
há os indivíduos dominantes - machos e fêmeas
mais fortes, que estão na idade mais apropriada para
a reprodução - e os dominados - ratos muito
jovens e muito velhos.
Os machos dominantes
expulsam os outros machos das tocas, ocupam os melhores
locais do território da colônia e alimentam-se
quando querem. Já os dominados ocupam as áreas
marginais no território e só se alimentam
quando não há dominantes presentes. Entretanto,
quando há um alimento novo no território (como
uma isca isolada ou em ratoeira, por exemplo), o rato dominante
espera que o rato dominado já tenha ingerido algumas
porções. Se nada acontecer a ele, o rato dominante
aproxima-se, expulsa o dominado, e ingere o alimento ou
a isca. Por estes motivos, os chamados raticidas violentos,
como estricnina, arsênico e vários outros,
dão bons resultados somente no início. Isso
acontece porque os ratos sobreviventes
(geralmente os dominantes) rapidamente associam a ingestão
da isca com a morte, e passam a não ingerir mais
este alimento. É interessante observarmos, também,
que esse comportamento é imitado por todos os ratos
da colônia.
Onde há abundância
de alimento, como nas granjas de aves, podem ocorrer duas
ou três espécies de roedores, e elas podem
conviver em relação pacífica. Mas onde
há competição pelo alimento isso não
acontece, e nesse caso ocorre no local apenas uma das três
espécies.
Dinâmica populacional
Quando há a
falta de alimento, os ratos passam a limitar
sua população. Isso ocorre de várias
maneiras, como através do canibalismo, da baixa fecundidade,
da baixa fertilidade das fêmeas e da supressão
de cios, só para citar alguns exemplos. Se há
espaço e comida o suficiente, as colônias crescem
sem problemas.
Os ratos
vivem em colônias e combatem de maneira muito feroz
qualquer outro rato que tente invadir seu território.
O canibalismo é um hábito que não é
raro entre os roedores: podem ser devorados os ratos doentes
e machucados e ainda os filhotes de uma ninhada que pertence
a outro grupo.
Um camundongo vive, em média, um ano. O rato-de-telhado
vive cerca de um ano e meio e a ratazana pode chegar a viver
até dois anos.
Ninhadas
No caso do rato-de-telhado,
ao chegarem aos três meses de idade, tanto os machos
como as fêmeas, já estão maduros para
a reprodução. Suas ninhadas têm de 3
a 9 filhotes e há, geralmente, 3 a 4 ninhadas por
ano. O período de gestação é
de 28 dias.
A ratazana tem, em
média, 8 filhotes por ninhada. O período de
gestação, para esta espécie, é
de 28 dias.
Já o camundongo
tem cerca de 4 a 10 filhotes por ninhada. Por ano, os camundongos
geram de 4 a 5 ninhadas, e o período de gestação
desta espécie é de 21 dias.
Locomoção
Quando caminha, a ratazana
deixa marcada no chão (na terra ou pó) uma
linha contínua entre as suas pegadas: essa linha
contínua é formada pela cauda, que sempre
é arrastada no chão. No caso do rato-de-telhado
não há essa linha, pois ele levanta a cauda
enquanto caminha e, assim, não deixa esse sinal.
A locomoção
é normal, isto é, os ratos
andam. Mas em situações de perigo ou brigas
entre si, podem correr. Além do mais, se houver necessidade,
dão saltos de alturas surpreendentes! Os locais a
serem atingidos pelos ratos quando saltam podem estar tanto
no mesmo nível em que os ratos estavam anteriormente
quanto em locais mais altos ou mais baixos.
Danos
As três espécies
de rato causam prejuízos que, apesar de não
serem muito bem calculados, são realmente grandes.
O rato-de-telhado prefere
alimentar-se de cereais, mas, na falta deles, pode passar
a devorar muitas outras coisas.
A ratazana alimenta-se
de cereais, ovos, pintinhos, pequenos patos, coelhos, animais
mortos, entre outras coisas.
E o camundongo alimenta-se
simplesmente de tudo o que encontra nas despensas e cozinhas.
A ratazana e o rato-de-telhado
comem grandes proporções de um mesmo alimento.
Os camundongos, ao contrário, ingerem pequenos bocados
de cada porção de alimento encontrado.
Muitos pensam que os
ratos, no campo, limitam-se a atacar os produtos de origem
vegetal já colhidos e armazenados. No entanto, eles
devoram também sementes recém-semeadas e plantadas.
Na verdade, muitas vezes, os danos nas plantações
são feitos por roedores nativos.
Nas construções
usadas para armazenagem e nas residências, além
dos alimentos, os ratos danificam os cabos de telefone e
provocam incêndios, pois roem as instalações
elétricas. Estragam sacarias, roupas, livros, objetos
de madeira, entre muitos outros. Além disso, podem
contaminar os alimentos e a água com agentes causadores
de doenças. Suas pulgas atacam o homem e podem também
disseminar diversas doenças.
Habilidades físicas
O senso de equilíbrio
é muito desenvolvido nos ratos.
O rato-de-telhado é um equilibrista muito habilidoso.
Atualmente, alguns construtores fazem casas à prova
de ratos, mas não podemos dizer que isso seja fácil.
Vejamos algumas das habilidades desses roedores:
os ratos podem penetrar por qualquer abertura, desde que
consigam passar a cabeça por ela;
podem roer diversos materiais duros, como madeira, tijolos,
chumbo, folhas finas de alumínio e até áreas
cimentadas do tipo 3:1 (3
partes de areia e 1 de cimento);
podem nadar de maneira muito habilidosa em locais abertos,
em distâncias de até cerca de 800 m. Assim,
podem até mesmo
alcançar residências bem
isoladas, ainda que cercadas de água;
podem mergulhar e nadar submersos, por exemplo, dentro de
um cano de esgoto e prender a respiração por
quase 3 minutos! Dessa
maneira, podem chegar a invadir residências
pelo vaso sanitário;
podem subir pelo interior de canos ou calhas verticais que
medem de 4 a 10 cm de diâmetro, apoiando-se em suas
pernas e costas;
podem subir pelo exterior de canos ou calhas verticais que
tenham até 9,5 cm de diâmetro. Para subir,
abraçam-se aos condutores;
podem cavar túneis na terra que atingem até
1,25 m de profundidade.